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BEM-VINDO À DIVERSÃO

A recente turnê de Pink é a turnê mais extravagante que a cantora já fez. São 230 shows pelo globo terrestre. “É muito ambicioso dizer, mas me sinto em casa aqui,” diz ela. O fato da cantora ter que fazer muitas acrobacias em trapézios, faz com que ela não possa fazer mais uma tatuagem ao longo dessa turnê. Sebastian Stella, uma coreógrafa do Circo de Soleil, treina Pink para as danças e acrobacias. Treino físico é intenso. Musicalmente, a turnê FUNHOUSE ultrapassa limites, ” É o show mais físico e vocal que já fiz,” diz Pink. Austrália é o país que está juntando a turnê de Pink e Carey pela primeira vez. Ele faz shows acrobáticos de moto ao lado de fora de onde estiver ocorrendo os shows da Pink.

ROLLING STONE AUSTRALIA

VICIADO EM PINK

Ela nasceu na Pensilvânia e mora onde quer que o seu ônibus de turnê estacione, mas o coração de Pink se sente em casa na Autrália.

Por Lee Coan + Fotografias por Dan Annet

DIA ENSOLARADO EM DUBLIN, UM MÊS ANTES DA TURNÊ ‘FUNHOUSE’ DE PINK PASSAR POR AQUI, e ruídos de garfos tomarem conta de todos os bastidores, um grande número de famintos que trabalham com Pink, contam as histórias acontecidas durante as viagens, sobre aquele sujeito da revista australiana. “Estavamos em 1984, em Houston com Ozzy Osbourne ou Motley Crue,” sorri o administrador de turnê da Pink, enquanto leva um pedaço de salmão à boca. Essa é a história que o baterista, o operador de trapézios e o viajante gostaria de ouvir. “Estava com os nervos à flor da pele porque não se falava tanto sobre Ozzy, até que o diretor do hotel disse, ‘Senhor, temos um problema.’ Aparentemente tive que ir… no exato momento!” Essa situação está longe de ser um clichê – 14,500 fãs histéricos estavam esperando do outro lado, guitarras fazendo solos, dançarinos com roupas chamativas, fogos de artifício explodindo por todos os lados e um jornalista da revista ROLLING STONE vendo a calma surreal do administrador da turnê esperando o momento certo de levar o Deus do Metal para um outro lugar. Logo em seguida teria fogos, calcinhas jogadas no palco, e o som da música “Hells Bells” do AC/DC mandando ver. Lembrando de tudo isso, chego à conclusão de que a turnê ‘FUNHOUSE’ da Pink deve ser o show mais rock & roll em todo o mundo. Também irá quebrar com todos os recordes australianos já obtidos, graças à uma estrela da qual a nação tomou paixão.

“Primeiramente, é um show de rock,” Pink – Alecia Beth Moore à sua mãe – ela me disse antes de voltar para o hotel. “Mas foda-se, é mais do que só isso. Tem esse cenário de pessoas voando por cima de você por todos os lados. É do car***. Ultrapassamos os limites a cada noite, e o mais louco é que mal começamos a turnê. Estamos no 30°, ou 34° show, e queremos chegar aos 230° show. Para ser sincera, estou perdida – Não sei onde estamos. Estou por todos os lados e temo já estar sentindo saudades. É difícil de dizer como estou no momento. É o show mais físico e vocal que eu já fiz. É muito ambicioso dizer, mas me sinto em casa aqui. Não estamos no apegando, mas não dá para reclamar. O lugar é divertido para car***, e Austrália é a minha luz no fim do túnel.”

Pink e Austrália têm uma história incotestável. Tem uma ligação entre ambas, e quando ela chega, nunca é só mais um show. Mesmo aqui na Irlanda onde ela encontrou os “fãs mais gritantes que eu já ouvi em minha vida”, ela segue em frente com sua agenda. “Estamos fazendo algo inovador aqui na Austrália, e mal posso esperar.” Foram sete anos para que Pink e seu ex, (agora recente), marido ficassem juntos para aproveitarem ao máximo o relacionamento. Isso está contecendo exclusivamente na Austrália. Carey – o motociclista famoso, está fazendo uma turnê com sua namorada (Pink).

De cidade para cidade, por fora dos shows, ele faz apresentações de moto para os fãs. “Fãs podem se aproximar e dar uma olhada nas motos e em tudo o que faz parte da Hart & Huntungton – será incrível. Talvez participe de tudo o que o evento ceder,” sorri Pink. “Fico muito bem lá. Tente e me impeça.” Falei isso ao administrador da turnê de Pink, e ele levou as mãos à cabeça. “Não sei o que é mais perigoso,” brinca ele com um pequeno sorriso. “O que é pior? Alecia dirigindo uma moto e fazendo acrobacias, ou eu tentando impedi-la de fazer algo do tipo?”

O custo extra de colocar essas duras turnês juntas não é só uma desculpa para Pink passar momentos com o marido, é um agradecimento ao país. Em sua última turnê – I’M NOT DEAD’ -, os fãs fizeram dela a mulher que mais vendeu ingressos para show, passando os $40 milhões. Em 2009, novamente graças aos fãs, o recorde já foi batido. “Quinze shows,” diz Pink com um grande sorriso. Foram 13 em Melbourne ficando como a artisa que mais vendeu ingressos para uma turnê. Mais de 600,000 ingressos vendidos, e recordes quebrados em Adelaide, Brisbane e Victoria.

“A doideira é que,” sorri a cantora de 29 anos se ajeitando na cadeira, “ninguém tem dinheiro no momento, mas foram muitos os ingressos vendidos. Por isso essa é a minha maior turnê. Gastamos muito com os cenários, a maneira como eu vejo é – quando se não tem dinheiro, e você está sem nada para curtir, o que fazer? Temos entretenimento. Temos música. Temos distrações. Então, se tiver algum fã meu sofrendo de algo, ele pode vir que em poucas horas terá esquecido todos os problemas. Uma noite você pode vir e apenas se divertir, beber um pouco – esquecer as contas. Estou muito grata de poder dar às pessoas esse tipo de alívio. Parece pouco, mas me sinto muito importante com tudo isso.”

Pink disse que tem feito de tudo para fazer com que os preços dos shows na Austrália não sejam tão altos. Obter o maior sucesso que já vi. “Alguns artistas vendem os ingressos por um preço absurdo,” diz Pink. “Não quero fazer parte dessa ideia. Sempre mantemos os nosso ingressos em preços mais acessíveis. Quando eu era menor eu ia em shows que custavam $10. E esse pessoal é igual a mim. Não tenho um audiência rica e não quero que eles paguem e fiquem o resto do mês sem poder irem em uma outra balada. Isso seria muito egoísmo.”

Tirando esse amor comum, qual é a conexão que existe entre Pink e Austrália? Afinal ela é de Doylestown – Pensilvânia, E.U.A. – e não de Newcastle, Sydney ou Melbourne. Ela foi a primeira a colaborar com as ajudas necessárias em fevereiro quando ocorreu um incêndio em uma das florestas – doando generosamente $250,000 do próprio bolso.
“Achei que seria a coisa certa a se fazer,” comenta Pink enquanto bebe um chá gelado e fuma cigarro. “Por que não ajudaria? Sinto que eu e a Austrália somos como uma família. Quando aconteceu toda o incêndio, senti que deveria mostrar apoio. Foi horrível o que aconteceu, não pude acreditar no que eu via. Vocês devem achar que eu falo isso de todos os países, mas dane-se, não ligo. Tenho uma conexão com a Austrália – acho difícil explicar. Se por acaso as pessoas acham que eu estou querendo enrolar, tudo bem – mas não estou enrolando ninguém.”
Pink afirma que não sabe o que foi que fez brotar esse amor pelo local. Ela nunca passou por lá antes de sua primeira turnê em 1999. “Acho que as mulheres daqui não me olham como uma celebridade, elas me olham como se eu fosse uma delas. Só uma outra garota. Com meus shows na Austrália, eu quero mais é me divertir com todos. Quero fazer parte de tudo. Cair na gargalhada. Australianos são bons de bobeirices e piadas. Eles sabem como passar o tempo. Mas tristeza, solidão e raiva são sentimentos importantes, e acho que eles sabem mesclar todas as emoções de uma maneira muito boa.”

A Pink das fotos e dos vídeos, a mulher gritando para vários irlandeses, não é a Pink que eu estou olhando agora – aqui em um bar de Dublin – falando sobre australianas. Não é que ela não seja forte, difícil, sensual e feroz, como é conhecida. Mas ela é mais do que isso, ela é muito mais fofa e brincalhona quando você senta e aproveita a compania dela.
Ela é baixinha, não passa dos 1.70 de altura, mas é cheia de energia e entusiasmo, com uma coisa pequena de raiva. Ela é engraçada, brincalhona e… agora ela está levantando a blusa para me mostrar as tatuagens. Não parece estranho. “Esta daqui,” diz Pink, apontando o dragão em sua coxa, “foi feita em Melbourne. A maioria das minhas tatuagens foram feitas na Austrália.” Estou olhando para a saia dela em público, em um bar elegante, e não parece uma situação desagradável. “Talvez essa seja a minha maior lembrança da Austrália,” comenta Pink. “Fui tatuada e tatuei toda a minha banda em Melbourne.

“Fiz um sapo no pé, o qual não dá para ser visto. Fiz este dragão em minha coxa. Tenho esse símbolo de coração. Tatuei os dedos também! Tatuei o meu administrador de turnê, meus dançarinos, minhas back-vocals, meu baterista. Todos!”

“Tatuei toda a minha banda” não quer dizer que Pink pagou para que eles fossem tatuados em seu estúdio favorito, Eternal Instinct, que fica em Beaconsfield, Melbourne. Ela fez a banda sentar-se na cadeira e passou a agulha ela mesma. “Sim. Fiz isso – Sou muito boa. Fiz minha melhor amiga também. Coloquei um batom bem vermelho e beijei-a na barriga. Depois tatuei onde o batom deixou marca. Tenho que admitir que o dragão demorou sete horas. Tinha um show no dia seguinte no Rod Laver – não foi a ideia mais brilhante que já tive. Precisei me levantar. Já estava me machucando. Telefonei para o Carey chorando e ele ficou furioso. Ele teve uma reação do tipo “E daí? Você vai sair daí com um dragão pela metade? Vai ficar assim por um ano? Volta para a mesa e não me ligue até que essa droga esteja pronta.” Chorei sem parar nas seguintes três horas, e fiz o show cheia de agonia.”

Não deve ter ninguém fazendo tatuagens em Melbourne, já que a turnê FUNHOUSE está lotada. “Gostaria de fazer outra, mas esta turnê não me deixaria. Com todas as acrobacias e coisas do tipo, fica difícil de achar um lugar no corpo do qual não prejudique. E também não sei o que tatuaria. Todas as minhas tatuagens têm um sério significado.”

Acho que um símbolo da VB seria uma ótima tatuagem. Pink adora a cerveja Victoria Bitter. Sim, o gosto de vários pais e homens faz o gosto dessa estrela. “Eu amo VB!” ri ela. “É a minha cerveja favorita no mundo todo. Acho que é uma daquelas coisas sentimentais – depois de sair do avião, a primeira coisa a ser feita é beber uma VB. Estou viciada em VB e feliz de novo. Não sei o quanto aguento, mas tento. Mantenho minha bebida, não consigo beber galões – não aguento. Mas preciso beber, e preciso beber agora. Quando chego na Austrália, duvido que alguém iria querer ir me ver. Ontem foi horrível. Estava péssima que você nem imagina. Mas todos passamos por um dia desses. Não levo tão a sério. Estaria ferrada se levasse.”

Uma coisa Pink pode saber – se ela não pode ser ouvida em Oz, a audiência leal dela faz com que ela saiba das coisas. “Você está certo,” ri Pink. “Eu estive em uma boate australiana e alguém em frente da barreira gritava, ‘Sua voz não está alta! Peça para a equipe de som aumentar essa por**! Sua voz nem está dando para ser ouvida!’ Por isso que gosto desse povo. Eles dizem como deve ser dito. E eu também. Droga, essa é a conexão. Essa é a conexão que existe entre a Austrália e eu. Ambos dizemos o que deve ser dito.”

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