Escrito por Tiffany Bakker
Tradução: Jessica e Thiago Ferraz.

Sentada no banco de trás de uma van azul escura em Dublin, estou segurando um Tupperware, recipiente cheio de biscoitos assados pelo mãe de P!nk.

Uma preferência americana – biscoitos, sanduíches de Marshmallows e chocolate – eles são um raro sabor da casa. E casa, é um lugar onde P!nk não vai ver muito em 2009. A sua turnê Funhouse circula o mundo até dezembro e parte do ano que vem.

P!nk está no carro, uma Mercedez Benz, automóvel fechado para abafar os gritos histéricos dos seus fãs. Alguns minutos atrás, estava entre esses milhares de gritos – fãs histéricos na Arena de Dublin onde a pop star de 29 anos se apresentou.

Agora eles estão sobre as janelas dos automóveis, câmeras fotográficas e lâmpadas.

Eles não têm certeza sobre qual carro ela está ou se vão conseguir ter acesso a algum, eles estão muito desapontados, apesar dos passageiros – o guarda-costas de Pink, Tony e seu chefe executivo australiano Jason (Ambos parecem estar inabaláveis em relação ao que acontece lá fora).

Considero atraente a idéia de mostrar os biscoitos pela janela e gritar “Ei, vejam, eu tenho biscoitos assados pela mãe da Pink” para ver o que acontece, mas eu não acho que será um movimento muito sábio de minha parte.

Mais cedo a cantora confessou estar se viciando nos biscoitos – a mãe dela trouxe quando a visitou na turnê pela Alemanha uma semana antes.

“Isso é irreal, porque ela nunca fez isso quando eu era criança” explica rindo com aquela risada escandalosa que é sua marca. “Ela se transformou numa dona-de-casa feliz, e eu amo isso pra ca**mba. Ela é adorável.”

O que será que a mãe de P!nk pensa quando vê a sua filha como uma super estrela da música no palco realizando um show?

“O sorriso enorme dela se destaca nos meus shows” diz a cantora. “Ela estava esgotada depois do primeiro show e teve que ir para o hotel dormir; é uma sobrecarga para ela. O segundo show, foi como ‘Eu amei. Foi maravilhoso’”.

O show na Austrália foi espetacular, uma extravagância de alta tensão de duas horas, onde nós vemos P!nk em cena usando coisas do estilo Cirque Du Soleil. (seu desempenho em Sober é de aproximadamente 40 pés no ar, é o centro das atenções).

Quando o show começa com ‘Highway To Hell’ (AC/DC) o público vai a loucura e a temperatura sobe ao som de “I touch myself” (Divinly), bom é… tocante.

“Eu tenho que colocar  algo sexy em algum lugar,” a cantora ri. “É uma continuação da música Fingers (da turnê I’m Not Dead de 2006) e Oh My God (da turnê Try This de 2003), você sabe… strippers, senhoritas nuas…”

A cantora teve muito mais tempo e energia nessa nova turnê.

“Com a turnê I’m not dead eu quase tive um ataque do coração. Eu só tinha uma semana para preparar tudo, e eu queria matar todo mundo, inclusive eu” explica P!nk. “Para essa nós tivemos muito mais tempo, tive que treinar bastante. Eu estou um pouco preocupada, de qualquer forma, porque muitas pessoas me falaram que estavam exaustas depois de tudo.”

Quando nós nos reunimos para o bate-papo, a cantora apareceu no estilo rockstar/estrela-do-rock vestido um top creme, calça leg e sapato com plataforma ambos de cor preta.

“Estou trabalhando muito neles – a cantora fala flexionando os músculos – me sinto forte e disciplinada. Você sabe como é, eu não levo as coisas muito a sério, mas nesse esquema do trapézio eu tive que levar. Precisei enfrentar meu medo de pular para trás, então fico torcendo na descida para que alguém tenha checado as cordas que me seguram direitinho.”

“Eu bebi há 4 dias e pude visitar a cervejaria de Guinnes enquanto estive aqui – ela sorriu – mas eu lembro dos dias que eu costumava sair até 6 da madrugada e na mesma noite eu tinha um show. Eu não podia imaginar o que fazer” (Mais tarde, quando Pink errou uma canção, a platéia grita e ela conta: “Se eu tivesse bebido, isso não teria acontecido.”)

Precisando de um grande estoque de energia no seu dia-a-dia para levar a vida que está acostumada depois de oito anos de turnê, Pink faz uma hora de yoga, e corre todos os dias, e faz graça com o uso da ocasional banana e uma lata de Coca para ajudar a estimular a endorfina.

“Estes são definitivamente os shows que mais estão exigindo do meu físico, emocional e da voz” ela diz.

“Por um minuto eu me pergunto se vou ser capaz de fazer tudo isso por um ano e meio. Se a resposta for sim, eu acredito que estarei muito forte.”

Seus reservatórios de força tem sido testados recentemente. No seu álbum Funhouse ela fala bastante da sua separação com o motoqueiro Carey Hart.

Felizmente, ela conta que eles se reconciliaram “É bom que nós resolvemos isso. Algumas vezes é o modo com que tudo acontece, isso é uma montanha-russa. Quando eu canto “I dont Believe you” eu sei que seria bem pior fazer isso se eu e o Carey não estivéssemos juntos de novo.”

“Depois que a gravei pela primeira vez, lembro de estar sentada em Stockholm ouvindo, e chorando muito, com as lágrimas jorrando pelo meu rosto. Apesar disso, ainda vou ao mesmo lugar. Cada dia é um dia diferente, e nós dois estamos trabalhando nisso.”

Antes dos shows, nos bastidores, há um estranho clima de calma. Muitos integrantes da equipe ‘por-trás-das-cenas’ da cantora, além de membros da banda, estão com ela há anos, e por isso, existe uma ligação fraternal.

A equipe anuncia que todos estão prontos para entrar no palco, e o show acontece super bem.

“Eles são boas pessoas,” ela diz sobre a equipe. “O modo como nós enxergamos a turnê é algo como: ‘isso vai ser uma grande caminhada, e se você está se sentindo perdido, mal-agradecido, sozinho, entediado, cansado ou triste, apenas lembre-se que o mundo vive uma total desordem e as pessoas precisam de entretenimento para que se sintam melhor, e você está ajudando. Isso é maior do que você, então aproveite cada dia.’ Eu penso que isso ajudou algumas pessoas na estrada.”

O mundo está vivendo uma crise financeira, mas aqueles que guardaram dinheiro para ver Pink estão se divertindo. Nos shows ela em Glasgow uns dias antes, a platéia estava completamente rouca.

“Ai meu Deus,” uma mulher vestindo um top com a estampa de um leopardo rosa falou em meu ouvido com um grosseiro sotaque irlandês.

“Eu amo Pink. Ela é incrííííível. Eu canto cada palavra de cada música, exceto aquelas que eu não sei, mas de qualquer forma, eu as canto também. Você pode contar para ela que eu a amo?”

A cantora parece estimular certas emoções de fãs mulheres, ambas gays e héteros. Em um show, um sutiã de cetim preto foi jogado pela platéia e caiu no pé de Pink.

Pink sorriu, posicionando o sutiã e analisando o tamanho de perto. “É… Eu acho que todos nós podemos admitir que isso não irá caber em mim – quem quer que seja que pertence isso, você é muito sortuda…”

Pink tem o fator ‘x’ de um ícone pop como David Bowie, Freddie Mercury, Annie Lennox e Madonna. Ela tem a habilidade de se conectar com todo mundo. Os gays a apontam como um símbolo desde o ínicio.

“Eu acredito que esforço reconhece esforço,” ela diz. “Eu espero que a razão das pessoas gostarem de mim é porque elas estão atravessando a mesma m*rda ou já passaram por isso, ou porque simpatizam. É apenas um grupo de pessoas legais ao redor do mundo – pessoas que alcançam isso. Desde que eu era uma garotinha, eu sempre atraí as minorias ou aquelas pessoas que lutam muito, e eu penso que isso faz parte de uma conexão.”

E ter essa conexão com as pessoas é a prioridade principal dela. Em Glasgow, ela me conta, que sentou no seu closet e chorou depois de ter recebido um livro feito por uma fã, que não somente continha a trajetória da cantora na história musical, mas também continha fotos e mensagens dos fãs ao redor do mundo. “Eu a encontrei na platéia depois,” Pink lembra. “Foi um bom momento.”

E isso que é o legal sobre Pink. Em um mundo obcecado com celebridades e fama, ela é, decididamente, condicionada a ser prática e realista. Para ela, uma boa noite é um churrasco e muita cerveja e vinho com seus amigos.

“Eu não sei ser de outro jeito,” ela ri. “Minha vida não mudou muito. Eu viajo em turnê, componho e passo pela mesma m*rda como todo mundo. Eu nunca me classifiquei em um comportamento de: ‘Eu sou uma rockstar (estrela do rock), Eu sou importante’. Eu não tenho isso. Para mim, ou você é uma boa pessoa, ou não é.”

“Talvez seja esse o motivo pelo qual ainda estou aqui depois de 10 anos, porque eu não me afeto com aquilo que as pessoas falam sobre mim. As pessoas me odeiam muito mais do que amam, e eu não estou deixando de dormir por causa disso. Eu quero dizer, é bom ser convidada para ir aos lugares,” ela dá risadas, “e de verdade, participar disso.”

A cantora recentemente estava sentada na primeira fileira do evento de moda de Stella McCartney (Paris Fashion Week/Semana de moda), depois que a designer aproveitou a ocasião para lançar o comercial do PETA, em que Pink junto com Ricky Gervais emprestaram suas vozes para um jacaré e um coelho, respectivamente, que tentavam recuperar as próprias peles de uns convidados na entrada de uma festa.

“Eu fiquei impressionada com a Stella McCartney. Ela realmente arriscou o pescoço dela fazendo isso no evento,” diz Pink.

“Ela e o pai dela são incríveis. Eu me diverti, e usualmente eu não estou muito ligada nessas coisas (Semana de Moda). Todo mundo se importa demais. Eu olho em volta, e ‘Cara, onde estão minhas botas? Meu pé dói.’”.

Esse ano traz outro momento significativo na vida de Pink – seus 30 anos.

“Algumas pessoas precisam me lembrar que estou ficando velha. Isso é como, dr*ga, eu não tenho mais dezessete anos. O que aconteceu nesses 10 anos?” ela suspira.

“Mas então, por outro lado, eu me sinto velha. Não, eu não deveria dizer isso, mas às vezes eu me sinto antiga. Eu sou a velha mais imatura no mundo. Eu sou como uma combinação dos 12 e 80 anos.”

E, nos últimos anos, ela começou a noticiar que sua platéia está envelhecendo junto com ela. “Isso é legal. Eu amo isso porque eles estão crescendo junto comigo.”

Agora, ela diz que está contando os dias até que ela possa ver seus quatro cachorros. No final desse passeio curto pela Europa, ela terá algumas semanas na casa em Malibu – onde o melhor amigo dela se casará no jardim – antes de refazer as malas e pegar o nosso caminho (Austrália).

Desconsiderando a demanda de quase três meses de shows na Austrália, Pink diz que ainda está chocada que a Austrália a ama tanto assim.

“Na minha última turnê, eu lembro de ficar ‘Isso foi apenas um acaso de sorte, nunca que vai acontecer de novo. Eu não vou vender  nada da próxima vez”. Alguns 50 shows esgotados depois, provavelmente e isso não é mais motivo de preocupação. “Eu posso muito bem morar lá,” ela ri. “Eu digo isso para as pessoas há anos. O que você acha, vocês gostariam de me ter por lá?”

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