Progresso de Pink
Por: Sasha Frere-Jones

Funhouse, o novo álbum de Alecia Moore, mais conhecida como P!nk, já
lançou um hit – seu primeiro número 1 solo nos Estados Unidos – chamado “So What,” uma explosão de infantilidade e títulos de rock-star, ambos revoltados e difíceis de lidar. Há fendas em”Funhouse”, porém, que expõem a missão quase ímpossivel de fazer uma rebelde que também sente que merece as paradas de sucesso das rivais que ridiculariza, e o desafio de controlar sua personalidade enquanto emprega compositores de alto nível para ajudá-la na jornada. Pink é mesmo Pink de acordo com o que nós acreditamos: aquela que escapou de algum tipo de ‘linha de produção padrão’ ridícula. Suas melhores músicas sugerem que ela simplesmente criou uma linha de produção melhor.

Por anos, a carreira de Pink esteve nessa de ela ser uma pop star e não ser uma pop star ao mesmo tempo. Com exceção de seu primeiro álbum, “Can’t Take Me Home” (2000), que foi modelado no trabalho de cantoras como Destiny’s Child e Christina Aguilera. Embora isso tenha vindo com uma imagem de uma jovem mulher que não respeita a lei, as canções de R.&.B poderiam ser de qualquer um, e Pink cantou isso em um alto e agitado estilo que já foi enterrado faz tempo do seu ranger de dantes e sua voz rouca e profunda, que se tornou seu ponto firme.

A música que trouxe Pink para uma audiência enorme foi a colaboração de 2001 na regravação da música de Labelle, “Lady marmalade”. Essa canção foi fiel de forma estilizada ao funk rock da original faixa dos anos 70, mas as colaboradoras — Christina Aguilera, Mya, Missy Elliot, and Lil’ Kim — representaram o rap do momento e o R. & B. No entanto a regravação não adicionou nada ao original (exceto o rap charmoso da Lil’ Kim no meio), mas estava coberta de energia e diversão boba. Pink fez sua marca com sua aparição no segundo verso, aonde, finalmente, ela cantou com sua voz natural, que é mais para uma Janis Joplin: baixa, ligeiramente rouca, cheia de atitude e pesada. Porém o suceso foi provavelmente pelo videoclipe – Pink usando um chapéu e peças íntimas à prova de balas — que a tornou presente na consciência do público.

Depois de um ano, Pink rejeitou o estilo determinado e em seu segundo álbum, “Missundaztood,” tentou algo novo. Na música “Don’t Let Me Get Me”, ela descreveu seu primeiro CD como uma venda da sua alma aos negócios, com L.A. Reid, o cabeça da LaFace Records, tomando as rédeas: “L.A. told me, ‘You’ll be a pop star, (L.A. me disse, Você será uma Pop Star”’) Pink cantou. “ ‘All you have to change is everything you are. (Só o que você tem que mudar é tudo o que você é)’. A maioria das composições foram com a compositora Linda Perry, “Missundaztood” foi uma mistura de rock e dance, deixando de lado em cheio o R. & B. Impulsionado pelo hit “Get the Party Started,” o álbum vendeu mais de 5 milhões de cópias no país (EUA) e continua sendo o mais vendido por uma boa diferença. Ele colocou Pink no topo e lançou Perry como uma hitmaker (criadora de hits) confiável. (Perry, como pode-se ver, tornou-se uma freqüente coloboradora com Christina Aguilera.)

Escrito e produzido por Perry, “Get the Party Started” foi dirigido por uma batida forte e os teclados nos lembravam várias músicas dance sem haver restrição à nenhuma delas, e um estilo de canto sarcástico que balança o rock com o ritmo do rap. O vídeo (uma forma de divulgação que continuou importante para Pink) fez sua divisão de estilos claramente. Nada de dançarinos coreografados em alguma plataforma futurística: Nós podemos ver uma Pink festiva e vulnerável – cantando com um secador de cabelos, sentindo o odor do corpo , e correndo pela cidade em um skate roubado. Essa estratégia funcionou: com Pink sendo ela mesma e com uma profissional como Perry providenciando canções totalmente consolidadas, a equipe de Pink é uma explosão.

Desde o “Missundaztood,” o problema tem sido ter certeza em que os novos contratados sejam tão bons quanto Perry, e que Pink – uma cantora que não é uma compositora de berço – não assuma muito o controle. (As coisas tendem a ficar particularmente más quando Pink canta uma balada ou desenterra sua infância, ou as duas coisas ao mesmo tempo.) O terceiro CD de Pink, o “Try This,” era um album de rock escrito na maior parte por Tim Armstrong. A melhor música nele foi “Feel Good Time,” co-escrita por Beck e William Orbit para o filme “Charlie’s Angels” (Panteras Detonando). Assim como em “Get the Party Started,” a música tinha uma forte tendência ao dance music. Punk e rude, como Pink gosta de se demonstrar, ela fica mais confortável com música que tenham uma leve batida e um espaço para a diversão. No entanto, ela geralmente se sente forçada à dividir sua dor e é algo que ela não consegue sem um golpe para sacudi-la.

“Try This” foi um album não tão bem sucedido comercialmente e o álbum seguinte teve um título desastradamente honesto: “I’m Not Dead. (Eu não estou morta)”. A nova Linda Perry de Pink surgiu para ser o mais confiável criador de hits: Max Martin – o tímido suíço que ajudou a definir os sons de Britney Spears e Backstreet Boys. “U + Ur Hand” é a censura bêbada de Pink para uma cantada de um galanteador, a quem Pink sugere que leve para casa sua real companhia: sua própria mão. A música é um rock incontrolável e os ganchos são ótimos. “Who Knew,” também co-escrita por Martin, nos guia dentro de gritos selvagens e altos, mas fissurados pela dor. Seu homem se foi, de modo inesperado, e Pink é deixada a imaginar, despedaçada.

Duas musicas no album IND mostraram serem as perfeitas músicas anti-comerciais. “Conversations” é uma confissão escrita desnecessária. Se Pink de alguma forma cantasse essas inteligentes pérolas melosas (“You’re the girl I used to be, you little heartbroken thirteen-year-old me”)(Você é a garotinha que eu fui, frágil e triste de 13 anos de idade) para si própria, eu não consigo imaginar nem ela escutando. Mais problemática ainda foi “Stupid Girls” (co-escrita com um grupo que incluia Billy Mann— a pessoa certa a prever um erro de Pink como nenhuma outra), uma música que tenta recapturar a missão do sentimento do “Missundaztood”, mas falhou por falta de generosidade. A música e o vídeo queriam diferenciar Pink de Lindsay, Paris, e Jessica, e as letras perguntavam com sinceridade, “Where, oh where, have the smart people gone? (Para aonde as pessoas espertas foram?)” Pink não exibiu nenhuma parte sensual de seu corpo em sua subida ao topo, então zoar com os sutiãs dos outros foi uma tática muito suspeita. Ela não é estranha em relação a Doutrina Hilton (“I’ll do what I want, cuz I can” – Eu farei o que eu quero, porque eu posso). E “ser esperta” não é realmente a principal característica de Pink. Ela é a versão feminina de Steven Tyler, do Aerosmith, um experiente canastrão, cheio de bom humor, habilidoso e vigoroso, mas um visionário.

“Funhouse” continua nesse caminho. Aparentemente envolvendo sua dor pela sepração do corredor de morocross, Carey Hart. Em “So What” Pink (com a ajuda de Max Martin) canta num gole violento: “I guess I just lost my husband, I don’t know where he went. So I’m gonna drink my money, I’m not gonna pay his rent.” Como muitas cantoras pop não confiáveis, ela protesta demais e não se importa (“I’m all right, I’m just fine, and you’re a tool”) e então revela o tanto que está sofrendo. Há alguma coisa que vai mal nisso tudo, no entanto. Nós conhecemos Pink como uma estrela do rock; repetindo “So what, I’m still a rock star” parece não apenas como insegurança, mas completamente rude. O que aconteceu com a rock-star divertida?

Se Pink tem mantido uma carreira no pop se distanciando das grandes tendências pop e não por se tornar auto-destrutiva, essa distância dependia de existir um certo prazer no trabalho dela – o sentimento de que ela não era melhor do que ninguém, mas que ela tinha feito sua própria e melhor festa em algum lugar. O melhor momento do album é “Please Don’t Leave Me.” O refrão é basicamente como o título, com Pink se mostrando vulnerável em voz alta – – e mantendo a batida. “How did I become so obnoxious?” (Como eu me tornei tão agressiva?) ela canta, aparentemente buscando isso através da dinâmica de seu casamento falho. Isso soa bem como uma mensagem para se público. ♦


Fonte: newyorker.com

Tradução: Juh Brilliant

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