Ela desprezou a familia real, usou drogas pesadas, não tem medo de entrar em uma briga. Será que alguma coisa consegue parar essa roqueira?
Por Louise Gannon

A roqueira Pink está no topo do seu jogo, recentemente sua nova música “So What” ficou em primeiro lugar das paradas britanicas e americanas. Lógico que ela já estava muito bem e já era conhecida por suas performances surpreendentes na música. Nascida como Alecia Moore em Doylestown perto de Philadelphia em 1979, ela passou a adolescência lidando com drogas e se envolvendo em encrencas antes da sua vida mudar como cantora.

O album de estréia Can’t take me home, ganhou 2 discos de platina e o seguinte, Missundaztood conseguiu uma indicação ao Grammy e Brit Awards, e também fez um enorme sucesso com as músicas “Get the Party Started” e “Family Portrait.”

“Logo no começo tinha a Britney e tinha eu”, ela diz. “Ela deveria ser a garota boazinha e eu a má, aquela que todas as garotas encrenqueiras gostam. Você dizia coisas que depois viravam outras que não deveriam!” E complementa: “Isso sempre me fez rir. Quando comecei as pessoas realmente tinham medo de mim. Essa garota com músculos, tatuagens e piercings que anda de moto e faz coisas loucas e não tem medo de entrar em uma briga. Mas isso tudo é apenas eu.”

“Eu queria ser uma artista para mudar a minha vida mas não mudar quem eu era.”

Atualmente passando por um divórcio do seu marido Carey Hart, Pink lançará um novo CD esse mês e irá entrar em turnê ano que vem.

Eu ainda amo meu ex-marido.

Não posso evitar. Carey e eu ficamos juntos por 7 anos e nos separamos em fevereiro. Eu queria ter melhorado as coisas, porque ele é a única pessoa no mundo todo que me entende. Eu propus o casamento segurando uma placa que dizia “Casa comigo” quando ele estava numa competição de motocross. Ele quase caiu da moto. Para ser sincera, mesmo quando ele disse “Sim” eu sabia que tinha uma pequena parte em nós dois que sabia que não conseguiríamos lidar com um casamento. Nós fizemos isso porque nos amávamos muito. Nós queriamos comer sempre juntos, ficar sempre juntos, mas talvez casamento nunca será uma coisa do nosso tipo. Eu ainda não superei, eu o amo.

Eu coloquei Carey em um clipe que eu tiro muito sarro da cara dele.

É assim que eu lido quando não sei agir numa situação complicada. Minha musica “So What” é sobre o fim de um casamento e eu agindo como se não me importasse – bebendo, indo pelada no tapete vermelho, zoando com meus amigos, destruindo a árvore com nossos nomes, botando fogo no meu cabelo… É totalmente maluco. Eu pedi ao Carey para participar. Ele concordou mas não tinha a menor idéia de que eu cantava sobre ele, sobre o quanto estou magoada e o quanto eu não ligo. Tinha gente chorando no set do clipe. Foi fora do controle, eu ria porque eu estava com Carey e estava muito contente em vê-lo.

Logo que eu tive 2 dígitos na minha idade, eu mudei de criança fofa para uma bagunceira.

Eu era o pesadelo de qualquer mãe. Eu era brava, confusa, selvagem, problemática, fui expulsa, presa tantas vezes que minha mãe já conhecia os policiais de Philadelphia pelo nome! Mas boa parte disso foi porque eu falhei, eu não me encaixava em nenhum lugar mas também porque eu já nasci rebelde. Eu faria qualquer coisa e não ligava, e muitas coisas foram divertidas.

Fui pela primeira vez num enterro aos 13 anos e enterrei 4 amigos até os 14

Eles morreram por causa das drogas. A maioria por causa da heroína. Você pensa que ficar no colégio assistindo seu amigo sendo destruído pelas drogas, fará você querer se afastar delas, mas não, isso não acontece. Eu lembro a primeira vez que fui num enterro, eram todas crianças. A mãe do garoto era praticamente uma criança também. Eu lembro de me sentir jovem e ao mesmo tempo velha e completamente vazia. Tudo que eu queria fazer era me livrar das drogas de novo o mais rápido que pudesse, para parar de pensar nisso. Ninguém pode dizer pra você parar de usar drogas, isso o faz querer cada vez mais usar. Todo mundo dizendo para Amy Whinehouse parar de usar heroína não vai fazer a menor diferença pra ela – você pode colocá-la em frente as piores fotos e mostrar as pessoas que morreram assim, mas não adiantará. Viciados só querem mais drogas.

O dia em que consegui meu primeiro contrato com gravadora eu parei de usar drogas.

Era o dia de Ação de Graças em 1995 e eu tinha acabado de fazer 16 ano. Eu não fui para uma clinica de reabilitação, e não fui nos viciados anônimos. Eu apenas parei porque ser uma cantora realmente importava pra mim e era importante me manter no controle. Ninguém sabia melhor que eu que você nunca consegue se manter no controle quando está viciado. Eu não fiquei com nenhum sintoma porque eu peguei toda a minha energia e passei para a minha música. Conseguir um contrato foi um impulso maior do que qualquer droga havia dado pra mim. Eu tinha tantas coisas para dizer e queria falar tudo para o mundo. Eu tinha que ser forte e focada, e então eu fui.

Alguns meses atrás, eu fui num especialista porque pensei que estava alcoólatra.

Eu tenho um problema com meus vícios. Eu parei com as drogas, mas de vez em quando eu preciso sair e encher a cara. Pra mim é pra perder o controle. Eu sou tão doida e é muito difícil pra mim perder minha timidez sem alguma coisa química. Como você consegue se divertir sem um pequeno drink? Eu não sei, mas estou tentando descobrir. Eu fui para Canyon Ranch em Tucson no Arizona no verão e fui ver um terapeuta, dizendo que eu achava que estava alcoólatra. Ele me perguntou quando eu tinha bebido pela última vez e eu não me lembrava, provavelmente umas semanas antes. E depois eu li o manual do AA inteiro e conversamos, eu percebi que não sou alcoólatra, apenas uma pessoa que gosta de ficar bêbada de vez em quando. Estou tentando melhorar pra não ficar uma coisa ruim.

Eu fui uma das poucas pessoas aplaudindo Russel Brand no VMA

A platéia apenas não conseguia acreditar quando ele começou a fazer piadas sobre o presidente Bush. Americanos podem menosprezar eles mesmos, mas não gostam de ver um estrangeiro fazendo isso. Isso é tão hipócrita. Eu o achei maravilhoso. Eu aplaudia e ele é como eu, fora dos padrões e não liga. Como a maneira que meu vestido abriu durante minha apresentação. Era planejado, tinha que acontecer. MTV sabia que a única pessoa louca o suficiente que não ligaria mesmo para fazer algo assim seria P!nk!

Eu ainda estou esperando a resposta da minha carta para o príncipe William

Ele queria que eu fizesse um show para o seu aniversário de 21 anos, mas eu respondi dizendo que não o faria até ele explicar porque ele caça. É um pouco rude, né? Eu também escrevi para a rainha antes do show do Prince’s Trust porque as peles de ursos não podem ser feitas com material sintético. Eu não entendo isso, não podemos questionar algumas pessoas por causa da posição delas na classe social. Eu apóio o PETA e quero que as pessoas pensem nas suas responsabilidades. Eu não ligo se usam uma coroa.

Paris Hilton ainda me enche o saco por causa da música Stupid Girls

Ela veio até mim numa balada há alguns meses e disse “Eu espero que você saiba que a pessoa que eu pareço ser para a imprensa é apenas uma personagem, eu na verdade sou muito esperta” e eu respondi “Deixa isso pra lá, a musica já tem muito tempo. Pára de me encher”. Eu ainda tiro sarro da Jessica Simpson no meu novo clipe, aquela garota me odeia. Mas acontece que o nome dela forma uma ótima rima que encaixa em muitas letras… e lógico, ela é a Jesssssicaaa Simpson. Essas garotas são especiais. Tem uma parte de mim que acha todas um bando de perdedoras, mas tem outra parte que admira como elas conseguem jogar nesse meio. Eu sou tão ruim nesse jogo em Hollywood, eu apenas odeio toda essa coisa falsa.

Eu nunca uso seguranças e uma mulher tentou me seqüestrar em Times Square

Na verdade foi bem engraçado. Eu estava passeando, curtindo, fazendo minhas coisas e essa mulher apareceu e disse “Ei, você é a Pink”. Eu balancei a cabeça e sorri, e então ela me agarrou pelo braço e disse “Eu estou te levando pra casa da minha tia”. Muitas pessoas tem problemas em lidar com o público, mas pra mim não tem problema, eu consigo me cuidar, eu sei minhas artes marciais. Eu olhei pra ela e disse “Eu acho que não”. E ela não me largava e tentava me levar para o metro. Tinha uma parte minha pensando e rindo “Eu sou a única pessoa com quem acontece uma coisa dessas?” No final eu a segurei firme e gritei “NÂO” bem alto. Quando ela foi embora eu pensei que deveria perguntar se a tia dela fazia um bom spaghetti a bolonhesa, se ela dissesse que sim eu teria ido junto com ela.

Eu tenho orgulho de me acharem lésbica.

Todo mundo sempre achou que eu sou lésbica por causa das tatuagens, o cabelo curto, a atitude. Mas eu nem ligo. Eu amo desafiar os preconceitos das pessoas. Muitas das minhas amigas são lésbicas, e realmente me chateia o fato que os gays não podem se casar em grande parte dos Estados Unidos. Eu iria numa marcha para os direitos gays a qualquer momento.

Eu falei contra a guerra no Iraque, e meu irmão Jason é militar.

Eu apóio os soldados. Liberdade é algo para se lutar, mas somente se é realmente por isso que você esta lutando. Meu pai, Jim, é veterano vietnamita e é meu herói de todos os tempos. Eu fico cada vez mais como ele. Ele foi quem nos ensinou que devemos questionar tudo. Eu questiono as pessoas no poder. Bush é um idiota. O mais rápido que ele for embora, melhor.

Eu viajo nos feriados sempre sozinha.

Eu amo ir a lugares como fazendas ou qualquer coisa do tipo, eu vou até lá sozinha e faço o que quero, cursos, meditação, qualquer coisa. Às vezes eu pego meu carro e paro em algum lugar novo. Algumas vezes você se pega naquele momentos onde você está sentado em algum lugar e alguma garota ou garoto próximo de você olha, e você sabe o que está se passando pela cabeça deles “Esta mulher é a P!nk, não é?”, mas eu não sou uma dessas pessoas que não sabem lidar com pessoas reais. Honestamente, eu prefiro isso. Mas a melhor coisa de se estar sozinha é ler. Eu leio o tempo todo. Amo isso. Minha fantasia é ser trancada dentro de uma biblioteca. Eu seria muito muito feliz.

Quando meu marido partiu, eu andei pela nossa casa, chutei a porta e fui embora.

Eu não conseguia viver mais ali. Eu comprei uma casa na praia e me forcei a ir para a água todo os dias – eu sempre tive muito medo de tubarão. Eu tive que dar a mim mesma um grande desafio para me concentrar. Então, uns meses depois eu no estúdio de gravação na cidade. Já era bem tarde e eu tinha que voltar ao estúdio cedo e era um longo percurso até a praia. Eu pensei em ir atá a minha antiga casa, somente para dormir. Eu fui mas eu não tinha mais a chave, então eu entrei pela casa pelo buraco do cachorro. Me senti tão estranha fazendo isso. E lógico, nem consegui dormir. Fui direto ao álbum de casamento e fiquei olhando, chorando e soluçando. Fiquei lá por 1 hora, depois eu pulei e sai correndo. Não voltei mais pra lá desde então. Viu só? Não sou como você pensa.


Fonte: dailymail.co.uk

Tradução: Nickisis

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