FUNHOUSE

P!nk nunca teve medo de dizer o que pensa, despir a alma e compartilhar dos seus sentimentos mais profundos nas suas músicas. E como ela mesma diz, “Eu não tenho escolha. É o que eu faço.” Com certeza, é o que ela faz. E seus 23 milhões de álbuns vendidos, dois Grammy, cinco MTV Video Music Awards e oito hits no Top 10 são prova que essa bad girl tatuada com o coração mole faz o que faz e muito bem. Mas com o seu quinto álbum de estúdio, ‘Funhouse’ (28 de Outubro pela LaFace/Zomba), P!nk fica ainda mais pessoal, mais exposta e mais reveladora.

“Esse é o meu álbum mais vulnerável até agora.”, diz P!nk, 29 anos, que não tem problemas em confessar que o fato de sua separação com seu marido, o astro do motocross Corey Hart, é um dos assuntos de ‘Funhouse’. “No meu primeiro CD, ‘Can’t Take Me Home'(2000), eu tava puta com um cara e isso me afetou. O ‘Missundaztood’ (2001) foi muito pessoal e me afetou ainda mais. Eu lembro de falar sobre a música “Family Portrait” em entrevistas e começar a chorar. Cada álbum ficou mais profundo e me afetava mais que o anterior. Em dois anos, eu provavelmente vou ter trabalhado todos os meus problemas.”

Mas por enquanto, o problema que P!nk ainda está enfrentando é seu coração partido. “Heartbreak is a Motherfucker é o nome original que eu queria dar pro CD”, ela ri. “Mas esse álbum não é só sobre isso. Não é um álbum sobre um término. Tem muito disso, mas também tem muita coisa divertida acontecendo e foi por isso que eu dei o nome de ‘Funhouse’.

P!nk admite que foi tanto “assustador” quanto “maravilhoso” alcançar novas profundidades de vulnerabilidade em faixas como “Please Don’t Leave Me”, uma música honesta de amor, disfarçada com um instrumental pra cima e divertido, com “da da da da’s” no fundo, e “I Don’t Believe You”, a balada arrasa-corações que tem os vocais rasgados e crus de P!nk sobre um piano e violões simples. (as duas co-escritas pelo Max Martin)

“É como sair da armadura e admitir que eu sou humana. Sou uma garota. Todos queremos ser amados e amar. É tudo o que queremos,” ela explica. “Please Don’t Leave Me” é meio engraçada também. É do tipo, ‘Okay, sou uma otária, mas me ame mesmo assim.’ Estou tentando melhorar. Estamos todos em progressão. E “I Don’t Believe You” é uma das minhas canções preferidas porque é muito crua. É como respirar fundo e dizer, “Aqui estou eu. Essa sou eu.”. “Mean” é uma canção estilo o rock/country do Aerosmith que pergunta, “How did we get so mean?’ Everything starts out so yummy. ‘Where did we lose the plot? How is it that you once were holding the door for me and now I’m slamming it in your face?’”

P!nk também não se segura ao falar sobre o assunto do término no primeiro single, a viciante “So What”, que atingiu o primeiro lugar na Billboard Hot 100 no dia 18 de setembro de 2008, garantindo o primeiro Number 1 da carreira dela. Em “So What”, P!nk fala verdades novamente, mas dessa vez, com seu humor evidenciado por partes engraçadas/honestas como “I guess I just lost my husband/I don’t know where he went/So I’m gonna drink my money/I’m not gonna pay his rent.” Ter seu ex, Carey Hart no vídeo, deixou as pessoas confusas sobre o conteúdo da letra. “De primeira, foi estranho porque as pessoas falavam, ‘Bom, se o término foi amigável, então porque ela tá falando merda sobre ele?! Que porra é essa? É hipocrisia.’ Mas quando todos viram o vídeo e viram que Carey estava nele, isso calou a todos, o que foi maravilhoso,” explica a cantora que colaborou novamente com Max Martin na faixa.

Apesar de P!nk ter expandido seus horizontes emocionais e musicais, a música que ela mais se orgulha é “Crystal Ball”, uma balada acústica escrita por Billy Mann, que trabalhou em hits como “Stupid Girls”, “Dear Mr. President” e “I’m Not Dead”, entre outras. “Estou orgulhosa da letra, melodia e vocais nessa música”, ela diz. “Eu gravei ela em um take e a gente não fez o mix dela. Foi direto pra masterização. Era sobre estar no clima e não sobre perfeição ou ser polida. Eu amo essa música e amei grava-la. Eu e o Billy entramos na sala, acendemos umas velas, tomamos um vinho, tocamos um violão com os meus vocais e foi isso.”

Outra faixa reveladora é “It’s All Your Fault” na qual ela canta “I conjure up the thought of being gone, but I’d probably even do that wrong.” Enquanto em “Glitter In The Air”, ela faz várias pergundas como, ““Have you ever looked fear in the face and said I just don’t care?” and “Have you ever hated yourself for staring at the phone?” P!nk admite, “Eu não tenho as respostas das perguntas que eu faço nesse álbum. Ainda estou tentando descobrir.”

Como como P!nk disse, ‘Funhouse’ não é só um álbum sobre um término. “Bad Influence” (escrita por Billy Mann e Butch Walker) é uma canção de festa de garotas rockeiras que não se desculpam por aloprar numa noite selvagem com as amigas de vez em quando.” “Sober” é outra música que não tem nada a ver com corações partidos. É obscura com suas cordas tristes sobre como alguém deseja poder não sentir medo e perder suas inibições sem ter um vício.

“One Foot Wrong”, com sua vibe blues, é sobre uma viagem de ácido que vai mal. “Eu usava muita merda,” diz P!nk. “Ácido é a pior droga do mundo. Não tomem. Mas, essa música também é sobre perder o controle e sobre como é fácil perder as estribeiras quando se está no limite.” Enquanto isso, “Ave Mary A” fala sobre o mundo e sobre causas sociais, pedindo ajuda e se soltando do “caos em volta de mim” e lidando com um “mundo enlouquecido.”

Quanto ao título, ‘Funhouse’, P!nk explica, “Eu vejo a vida como um carnaval. Palhaços deveriam ser engraçados e felizes, mas eles são assustadores. Carnavais deveriam ser divertidos, mas são meio bizarros. Mas, nós vamos mesmo assim, e compramos algodão doce, nos forçamos a rir, subimos nos brinquedos e fazemos o que fazemos. E isso é a vida pra mim, e o amor também. O amor deveria ser divertido, mas também pode ser assustador. E aqueles espelhos malucos que nos fazem parecer tão distorcidos que nem nos reconhecemos e nos perguntamos, “Como eu vim parar aqui? Como é que eu saio daqui?” Mas, você acaba indo outra vez no mesmo brinquedo. É a mesma coisa com o amor e a vida. É uma metáfora.”

A faixa-título mesmo, é um rock dançante com um refrão pegajoso que fala: “This used to be our funhouse/But now it’s full of evil clowns/It’s time to start the countdown/I’m gonna burn it down.” “É sobre quando o lugar que você está não se encaixa mais, queime essa merda e comece outro,” diz P!nk. “Essa foi a primeira música que eu fiz com o Tony Kanal do No Doubt e o parceiro de letras dele, o Jimmy Harry. Eu me apaixonei em trabalhar com eles. A gente escreveu músicas do caralho juntos. Fizemos ‘Funhouse’ e ‘Sober’.

P!nk saiu da sua área de segurança no processo de gravação de ‘Funhouse’, trabalhando longe dos arredores de LA e NY pela primeira vez. Ela gravou “One Foot Wrong”, uma canção rock/blues que mostra o vocal rasgado da cantora com o músico/autor/produtor Eg White no estúdio dele em Londres. E ela seguiu pra Estocolmo na Suécia pra trabalhar com Max Martin, que previamente co-escreveu hits como “Who Knew”, “U + Ur Hand” e “Cuz I Can” do CD ‘I’m Not Dead’ de 2006.

“Foi muito bom sair da minha casa e deixar a minha vida por um momento. Sem distrações. Sem telefones,” explica P!nk sobre suas sessões longe de casa. “Foi minha primeira vez trablhando com Eg White e eu simplesmente adoro ele. ELe é egocêntrico e bagunceiro e bom pra caralho. A gente trabalhou no porão da casa dele enquanto a mulher dele ficava lá em cima cozinhando com seus três bebês e eu amei isso. Foi muito inspirador e uma ótima mudança de ritmo – pessoas diferentes, energias diferentes.”

Com seu mix de músicas tristes, pensativas, sobre amor, divertidas, roqueiras e animadas, P!nk atingiu exatamente o que ela queria com ‘Funhouse’. “É ótimo fazer com que as pessoas não só sintam e liberem energia, mas também fazer com que elas sintam raiva e se sintam motivadas também. É como se fosse uma terapia em grupo.”

09/08

Tradução: Bruno.

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