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PINK

Não deixe que a bravura te engane – a separação dela é como de todos nós.

Admita: Pink pode parecer ser bem intensa. Ela é uma moça de gênero forte que não tem medo de expor as idéias – fala mal do Presidente Bush, faz piadas com as queridinhas de Hollywood, fica com ela mesma (como é feito no video ‘Sober’); ou participa de causas, como a de direitos aos animais e prevenção da violência doméstica. Mas quando o romance dela com o motoqueiro Carey Hart acabou no ano passado, Pink pareceu mudar. Todo o lado emocional aflorou em seu último e mais pessoal álbum, Funhouse – ela começou a escrever as músicas no mesmo dia que ocorreu a separação. Através das letras, ela revela o que ela não conseguiria dizer alto – que doloroso

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é perder quem a gente ama. Mas com o seu jeito Pink de ser, ela não está se escondendo em casa com seus cachorros (Bailey, Nanny e Bubba), sentindo pena. Este mês ela sairá em turnê com novo estilo e atitude – e ela não tem medo de deixar seu lado bravo de lado para mostrar seu lado sensível. É difícil falar das lições que se aprende com o amor, que é algo que ela agradece muito. Para Pink a melhor maneira de dar a volta por cima é falando a verdade.

17: “So What” virou a música tema do ano, e foi número 1 nas paradas. Como você se sente?

Pink: Muito confuso. É um pouco doce, engraçado, poderoso, é um ‘vá se danar!’ É um pouco de cada coisa. É demais alcançar o primeiro lugar, porém, irônico o fato de que Carey e eu nos separamos e isso acontecer. É um testamento da frequência que as pessoas se separam e elas podem assimilar a vida ao que eu estou dizendo.

17: Você fala diretamente para o Carey neste álbum. Ele só teve conhecimento do que você sentia ao ouvir o álbum?

Pink: Nunca disse todas essas coisas doces e vulneráveis que estão no álbum. Escrever o álbum da maneira que achei que deveria foi bom para mim, para ele, para nós e para nossa amizade.

17: Como vocês conseguem ter um bom relacionamento?

Pink: Muito difícil. Leio aquele livro ‘It’s Called Breakup Because It’s Broken’. Tive boas risadas e também algumas lágrimas com esse livro. [Continuar amigos] pode ser doloroso. É esquisito. Mas se ambos têm uma boa amizade, então ambos devem trabalhá-la. Tem que saber o que deve ser feito
em sua hora. Como vai ser? Qual a frequência que vocês vão se falar? Vamos ver até onde chegará.

17: Você e Carey estão assim?

Pink: A razão para ainda sermos amigos é que a gente se diverte muito juntos. Eu falei pra ele que deixaria ele ir embora quando ele se casar de novo. Não sou possessiva. Quando amo alguém, eu amo, e quero que eles sejam felizes. E amo tanto o Carey que quero a felicidade dele, e ele quer que eu também seja feliz. E no final, o mais importante para ambos é essa felicidade.

17: Você não sente mais nada por ele?

Pink: Varia. Tenho momentos fortes e baixos. Mas não é desgastante, é um pouco de liberdade. Aprendi mais sobre mim nos últimos meses do que em 7 anos.

17: Você achava que ficariam juntos para sempre?

Pink: Não. Nem sei se já cheguei a acreditar nessas coisas de casamento. Para ambos, nossa infância nos levou a isso. Ele teve uma infância difícil, assim como eu tive em minha casa. Nossa idéia de casamento nunca foi um conto de fadas. Foi meio que, “A gente se gosta, deveríamos tentar e ver o que pode acontecer.” E não me arrependo de nada. Faria de novo. Faria milhões de vezes, mesmo achando que casamento não é necessário.

17: Por que você acha que é difícil fazer do casamento algo durável?

Pink: Você entra de cabeça nesse mundo que é tudo muito lindo. Compras de flores e escrever poemas e depois é como gritar e ir sozinho para um canto silêncioso. Toda pessoa que se relaciona passa por esses momentos. É o quebra-cabeça que as pessoas tentam entender. Como manter toda aquela gostosura? Não vi ainda muitos casais que tenham conseguido, tudo cai no óbvio e não tenho a resposta pra isso. É disso que se trata a música ‘Mean’. Como as coisas ficam tão óbvias?

17: De onde você acha que vem toda a sua força?

Pink: Meu irmão e eu sempre brigávamos quando crianças. Erámos violentos. Ele podia muito bem me ferir fisicamente e eu feria ele com palavras. E você acaba aprendendo a viver desde criança. Posso ser muito malvada. Posso decepcionar as pessoas. Não é algo que eu goste de fazer, não gostaria de continuar sendo assim.

17: Você tenta ganhar toda discussão?

Pink: Eu defendo o que penso por um tempo, e depois desisto. Sou como um cachorrinho. Tenho que te cheirar para ter certeza de que não há perigo. Tudo que a gente precisa é de carinho.

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17: Quando você sabe que chegou a hora de seguir em frente em um relacionamento?

Pink: Quando você não se sente mais o mesmo.

17: Qual foi o seu maior medo em terminar?

Pink: É ficar com alguém porque você tem medo de ficar sozinha. Ou se perguntando, “Será que vai ter alguém que vai gostar de mim?” É essa insegurança. Garotas sempre agem assim. A gente se desencoraja.

17: O que você diz para essas garotas que têm medo de ficarem sozinhas?

Pink: É assustador, porém bastante possível. É ótimo ficar com os amigos, trocar os medos e aprender coisas novas. Fique um pouco com você e se conheça melhor. Gostaria que alguém tivesse me dito que existe vida boa após o colegial. É difícil de imaginar quando você está passando por toda a situação. Mas com relacionamento é a mesma coisa. Dói tanto agora, mas você irá se apaixonar de novo, e vai ser melhor ainda, afinal, você tirou um tempo para se auto-conhecer.

17: Você acha que você já está pronta para marcar encontros?

Pink: Não marco encontros. Encontros me assustam. Nunca marquei um encontro – sempre faz com que você se antecipe. Tenho que encontrar com alguém em um churrasco ou coisa do tipo. Tem que ser natural.

17: Que tipo de pessoa que você não fica?

Pink: Exigentes. Mentirosos. Homens que acham que devem provar algo. Gosto de caras que gostam de dar risadas e agem como eles realmente são, não importa onde estejam.

17: Qual a pior coisa em ser uma estrela como você?

Pink: Tempo. Agendas. É a coisa mais difícil. Você fica muito tempo longe. Essa tem sido minha vida desde os meus 16 anos. Não conheço mais nada. Amo ficar em casa, na praia com os meus cachorros, mas preciso viajar, preciso subir nos palcos.

17: Por que você ama cantar?

Pink: É a melhor versão que eu tenho de mim. Sou virginiana (signo virgem) e estou sempre pensando, analisando, processando – uh! Muita coisa. Quando subo ao palco, não penso; estou livre.

17: Como você encontra coragem de falar de coisas que são importantes pra você?

Pink: Não me preocupo em ganhar ou perder – não é a popularidade que me mantém. Não consigo ficar na mesma. Algumas pessoas são boas em serem neutras para vender mais ou sei lá. Para mim, é sempre focando em você, sendo quem você realmente é, e criando as suas leis. É a única maneira de viver bem.

17: Quando você está triste, o que você faz para se animar?

Pink: Sempre que estou muito estressada, meus amigos e eu brincamos de ODGs: Você escolhe um ‘O’rgulho, um ‘D’esejo e uma ‘G’ratidão. É ótimo para quebrar o gelo com pessoas que você não conhece muito bem.

17: Quais são o seu orgulho, desejo e gratidão?

Pink: Muito difícil. O orgulho é o mais difícil. Meu orgulho é poder transformar separação em músicas que irão ajudar outras pessoas. Meu desejo é ser centralizada e saudável. E minha gratidão são meus amigos, minha família e meus cachorros.

Tradução: Fabrício.

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