Pink é exatamente como sugerem suas canções: desaforada, encrenqueira, pansexual

Sérgio Martins

“Eu gosto de ficar com pessoas interessantes. Por coincidência, muitas são mulheres, nos últimos tempos.”

Alecia Moore era o que se poderia chamar de caso perdido. Aos 7 anos, ela foi expulsa do colégio católico em que estudava, por mau comportamento. Aos 15, já havia experimentado todos os tipos de droga que tinha à disposição e divertia-se realizando furtos em lojas de departamentos. Sem saber o que fazer, sua mãe pensou em despachá-la para a casa do pai – um veterano da Guerra do Vietnã, adepto de rígidos métodos de disciplina. Antes que isso acontecesse, porém, a menina começou a cantar. Não, a música não a transformou em santa. Pelo contrário. O que a música fez foi abrir-lhe as portas do mundo pop, onde seu jeito tresloucado ou “bagaceiro” – para usar uma gíria adequada – deixou de ser uma desvantagem e transformou-se em meio de ganhar a vida. Muito bem, aliás. Hoje, aos 24 anos, Alecia – transformada na cantora Pink – é um dos maiores fenômenos do mercado americano. Já vendeu 12 milhões de discos e acaba de lançar Try This, seu terceiro álbum.

Atualmente, as cantoras pop podem ser divididas em dois grupos: as “autênticas” e as “camaleônicas”. Enquanto as primeiras dão a entender que seu trabalho é um reflexo perfeito de sua vida, as segundas parecem não ter identidade fixa. Madonna é o protótipo da camaleoa. Britney Spears e Christina Aguilera estão seguindo seus passos: já foram patricinhas comportadas e agora se mostram hipersexy e brincam até com tabus, como a bissexualidade. “É tudo jogo de cena”, parecem dizer. Pink é diferente. Joga no time das “autênticas”. Suas músicas sugerem que ela é desaforada, encrenqueira, chegada a um pileque, pansexual – e freqüentemente é flagrada em público agindo exatamente assim. Chegou bêbada a uma recente entrega de prêmios da MTV e não tenta esconder nenhum aspecto de sua intimidade. Semanas atrás, Pink e a atriz Kristanna Loken, a andróide assassina de Exterminador do Futuro 3, trocaram beijos ardentes numa boate em Las Vegas. “Ela me agarrou e, como não beijava mal, fui em frente”, disse Pink a VEJA. “Gosto de pessoas interessantes. Por coincidência, muitas têm sido mulheres, nos últimos tempos.”

Outra conquista recente de Pink foi a cantora canadense Peaches, que participa da faixa Oh My God, de Try This. Peaches (foto) é uma versão ainda mais radical de Pink – algo assim como o excesso personificado. Ela chega a ser escatológica no palco, como mostrou recentemente num show no Rio de Janeiro, onde lambia as axilas para “inspirar-se”. Britney Spears, em sua atual fase provocante, também quis atrair Peaches para uma gravação, mas a idéia não foi adiante. Qual foi a tática de Pink? “Convidei-a para fazer música e algo mais comigo”, conta a cantora, autenticíssima.

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