BEM-VINDO!

Olá,

PinkBrasil completa cinco anos hoje, primeiro de junho. Como um presente, nós lançamos essa biblioteca com mais de 50 artigos disponíveis [até o momento!] dividido por eras indicados pelos albuns da cantora : )

Aqui você irá encontrar muita informação sobre nossa garota.

Sinta-se livre para nos enviar artigos e entrevistas pelo nosso e-mail.

BOA LEITURA!

Atenciosamente,

Jessica Cardoso.

Perez Hilton entrevista Pink no EMA

O famoso blogueiro Perez Hilton estava entrevistando as celebridades no EMA, e entrevistou de um jeito bem engraçado a Pink!

Perez: Estamos aqui com a Alecia, mais conhecida como Pink
E estamos perto da luz pink, junto com a Pink.

Pink: Oi!

Perez: Devo dizer que eu gosto muito da sua nova música So What, é praticamento um hino, e tipo uma atitude F***-se, você acha que é seu modelo de vida “E daí? Quem se importa?”

Pink: É meu modelo de vida é F****

Perez: A gente não pode dizer…. Mas beleza, você disse F***, F***. F***

Pink: risos

Perez: Acho que estamos f***

Pink: Desculpa, meu modelo de vida é “E daí?”

Perez: A gente deveria fazer a versão censurada

Pink: É

Perez: Você vai se apresentar hoje O que devemos esperar do seu grande show?

Pink: Muitas pessoas bonitas com roupas íntimas.

Perez: Eu vi umas purpurinas vermelhas

Pink: Não, não sei quem vai usar isso, vai ter muitas penas.

Perez: No passado você fez muitas coisas diferentes, há um tempo você fez um comercial da Pepsi com a Beyonce, ela está aqui hoje

Pink: É mesmo, e está tão linda! Já a viu?

Perez: Não! você a viu posando?

Pink: Não

Perez: Ela tem um jeito dela pra posar, você jsabe qual é?

Pink: Não

Perez: É certeza, se você a ver numa foto de tapete vermelho ela está assim

Pink: Verdade?

Perez: É, e você tem um jeito seu para posar?

Pink: Não, acho que nem posso mostrar

Perez: Qual é? Você pode fazer o que quiser!

Pink: não não tenho um certo, eu mostro muito meus dentes assim

Perez: Deixa eu ver! Risos

Pink: Qual é o seu?

Perez: Meu jeito, odeio dizer, mas é meio Paris Hilton, coloco o quadril pra frente, coloco a mão aqui, e a cabeça assim porque todo mundo fica mais magro nessa pose. Eu tenho problemas com meu corpo, mas estou trabalhando nisso.

Pink: Risos Obrigada

Perez: Obrigado, você está ótima, eu te amo, quero fazer amor com você, mal posso esperar pra ver sua apresentação.

Pink: Risos

Perez: Senhoras e Senhores, Pink!

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Tradução: Nickisis

[Matéria] Revista Rolling Stone Australiana

Scans da revista: aqui.

BEM-VINDO À DIVERSÃO

A recente turnê de Pink é a turnê mais extravagante que a cantora já fez. São 230 shows pelo globo terrestre. “É muito ambicioso dizer, mas me sinto em casa aqui,” diz ela. O fato da cantora ter que fazer muitas acrobacias em trapézios, faz com que ela não possa fazer mais uma tatuagem ao longo dessa turnê. Sebastian Stella, uma coreógrafa do Circo de Soleil, treina Pink para as danças e acrobacias. Treino físico é intenso. Musicalmente, a turnê FUNHOUSE ultrapassa limites, ” É o show mais físico e vocal que já fiz,” diz Pink. Austrália é o país que está juntando a turnê de Pink e Carey pela primeira vez. Ele faz shows acrobáticos de moto ao lado de fora de onde estiver ocorrendo os shows da Pink.

ROLLING STONE AUSTRALIA

VICIADO EM PINK

Ela nasceu na Pensilvânia e mora onde quer que o seu ônibus de turnê estacione, mas o coração de Pink se sente em casa na Autrália.

Por Lee Coan + Fotografias por Dan Annet

DIA ENSOLARADO EM DUBLIN, UM MÊS ANTES DA TURNÊ ‘FUNHOUSE’ DE PINK PASSAR POR AQUI, e ruídos de garfos tomarem conta de todos os bastidores, um grande número de famintos que trabalham com Pink, contam as histórias acontecidas durante as viagens, sobre aquele sujeito da revista australiana. “Estavamos em 1984, em Houston com Ozzy Osbourne ou Motley Crue,” sorri o administrador de turnê da Pink, enquanto leva um pedaço de salmão à boca. Essa é a história que o baterista, o operador de trapézios e o viajante gostaria de ouvir. “Estava com os nervos à flor da pele porque não se falava tanto sobre Ozzy, até que o diretor do hotel disse, ‘Senhor, temos um problema.’ Aparentemente tive que ir… no exato momento!” Essa situação está longe de ser um clichê – 14,500 fãs histéricos estavam esperando do outro lado, guitarras fazendo solos, dançarinos com roupas chamativas, fogos de artifício explodindo por todos os lados e um jornalista da revista ROLLING STONE vendo a calma surreal do administrador da turnê esperando o momento certo de levar o Deus do Metal para um outro lugar. Logo em seguida teria fogos, calcinhas jogadas no palco, e o som da música “Hells Bells” do AC/DC mandando ver. Lembrando de tudo isso, chego à conclusão de que a turnê ‘FUNHOUSE’ da Pink deve ser o show mais rock & roll em todo o mundo. Também irá quebrar com todos os recordes australianos já obtidos, graças à uma estrela da qual a nação tomou paixão.

“Primeiramente, é um show de rock,” Pink – Alecia Beth Moore à sua mãe – ela me disse antes de voltar para o hotel. “Mas foda-se, é mais do que só isso. Tem esse cenário de pessoas voando por cima de você por todos os lados. É do car***. Ultrapassamos os limites a cada noite, e o mais louco é que mal começamos a turnê. Estamos no 30°, ou 34° show, e queremos chegar aos 230° show. Para ser sincera, estou perdida – Não sei onde estamos. Estou por todos os lados e temo já estar sentindo saudades. É difícil de dizer como estou no momento. É o show mais físico e vocal que eu já fiz. É muito ambicioso dizer, mas me sinto em casa aqui. Não estamos no apegando, mas não dá para reclamar. O lugar é divertido para car***, e Austrália é a minha luz no fim do túnel.”

Pink e Austrália têm uma história incotestável. Tem uma ligação entre ambas, e quando ela chega, nunca é só mais um show. Mesmo aqui na Irlanda onde ela encontrou os “fãs mais gritantes que eu já ouvi em minha vida”, ela segue em frente com sua agenda. “Estamos fazendo algo inovador aqui na Austrália, e mal posso esperar.” Foram sete anos para que Pink e seu ex, (agora recente), marido ficassem juntos para aproveitarem ao máximo o relacionamento. Isso está contecendo exclusivamente na Austrália. Carey – o motociclista famoso, está fazendo uma turnê com sua namorada (Pink).

De cidade para cidade, por fora dos shows, ele faz apresentações de moto para os fãs. “Fãs podem se aproximar e dar uma olhada nas motos e em tudo o que faz parte da Hart & Huntungton – será incrível. Talvez participe de tudo o que o evento ceder,” sorri Pink. “Fico muito bem lá. Tente e me impeça.” Falei isso ao administrador da turnê de Pink, e ele levou as mãos à cabeça. “Não sei o que é mais perigoso,” brinca ele com um pequeno sorriso. “O que é pior? Alecia dirigindo uma moto e fazendo acrobacias, ou eu tentando impedi-la de fazer algo do tipo?”

O custo extra de colocar essas duras turnês juntas não é só uma desculpa para Pink passar momentos com o marido, é um agradecimento ao país. Em sua última turnê – I’M NOT DEAD’ -, os fãs fizeram dela a mulher que mais vendeu ingressos para show, passando os $40 milhões. Em 2009, novamente graças aos fãs, o recorde já foi batido. “Quinze shows,” diz Pink com um grande sorriso. Foram 13 em Melbourne ficando como a artisa que mais vendeu ingressos para uma turnê. Mais de 600,000 ingressos vendidos, e recordes quebrados em Adelaide, Brisbane e Victoria.

“A doideira é que,” sorri a cantora de 29 anos se ajeitando na cadeira, “ninguém tem dinheiro no momento, mas foram muitos os ingressos vendidos. Por isso essa é a minha maior turnê. Gastamos muito com os cenários, a maneira como eu vejo é – quando se não tem dinheiro, e você está sem nada para curtir, o que fazer? Temos entretenimento. Temos música. Temos distrações. Então, se tiver algum fã meu sofrendo de algo, ele pode vir que em poucas horas terá esquecido todos os problemas. Uma noite você pode vir e apenas se divertir, beber um pouco – esquecer as contas. Estou muito grata de poder dar às pessoas esse tipo de alívio. Parece pouco, mas me sinto muito importante com tudo isso.”

Pink disse que tem feito de tudo para fazer com que os preços dos shows na Austrália não sejam tão altos. Obter o maior sucesso que já vi. “Alguns artistas vendem os ingressos por um preço absurdo,” diz Pink. “Não quero fazer parte dessa ideia. Sempre mantemos os nosso ingressos em preços mais acessíveis. Quando eu era menor eu ia em shows que custavam $10. E esse pessoal é igual a mim. Não tenho um audiência rica e não quero que eles paguem e fiquem o resto do mês sem poder irem em uma outra balada. Isso seria muito egoísmo.”

Tirando esse amor comum, qual é a conexão que existe entre Pink e Austrália? Afinal ela é de Doylestown – Pensilvânia, E.U.A. – e não de Newcastle, Sydney ou Melbourne. Ela foi a primeira a colaborar com as ajudas necessárias em fevereiro quando ocorreu um incêndio em uma das florestas – doando generosamente $250,000 do próprio bolso.
“Achei que seria a coisa certa a se fazer,” comenta Pink enquanto bebe um chá gelado e fuma cigarro. “Por que não ajudaria? Sinto que eu e a Austrália somos como uma família. Quando aconteceu toda o incêndio, senti que deveria mostrar apoio. Foi horrível o que aconteceu, não pude acreditar no que eu via. Vocês devem achar que eu falo isso de todos os países, mas dane-se, não ligo. Tenho uma conexão com a Austrália – acho difícil explicar. Se por acaso as pessoas acham que eu estou querendo enrolar, tudo bem – mas não estou enrolando ninguém.”
Pink afirma que não sabe o que foi que fez brotar esse amor pelo local. Ela nunca passou por lá antes de sua primeira turnê em 1999. “Acho que as mulheres daqui não me olham como uma celebridade, elas me olham como se eu fosse uma delas. Só uma outra garota. Com meus shows na Austrália, eu quero mais é me divertir com todos. Quero fazer parte de tudo. Cair na gargalhada. Australianos são bons de bobeirices e piadas. Eles sabem como passar o tempo. Mas tristeza, solidão e raiva são sentimentos importantes, e acho que eles sabem mesclar todas as emoções de uma maneira muito boa.”

A Pink das fotos e dos vídeos, a mulher gritando para vários irlandeses, não é a Pink que eu estou olhando agora – aqui em um bar de Dublin – falando sobre australianas. Não é que ela não seja forte, difícil, sensual e feroz, como é conhecida. Mas ela é mais do que isso, ela é muito mais fofa e brincalhona quando você senta e aproveita a compania dela.
Ela é baixinha, não passa dos 1.70 de altura, mas é cheia de energia e entusiasmo, com uma coisa pequena de raiva. Ela é engraçada, brincalhona e… agora ela está levantando a blusa para me mostrar as tatuagens. Não parece estranho. “Esta daqui,” diz Pink, apontando o dragão em sua coxa, “foi feita em Melbourne. A maioria das minhas tatuagens foram feitas na Austrália.” Estou olhando para a saia dela em público, em um bar elegante, e não parece uma situação desagradável. “Talvez essa seja a minha maior lembrança da Austrália,” comenta Pink. “Fui tatuada e tatuei toda a minha banda em Melbourne.

“Fiz um sapo no pé, o qual não dá para ser visto. Fiz este dragão em minha coxa. Tenho esse símbolo de coração. Tatuei os dedos também! Tatuei o meu administrador de turnê, meus dançarinos, minhas back-vocals, meu baterista. Todos!”

“Tatuei toda a minha banda” não quer dizer que Pink pagou para que eles fossem tatuados em seu estúdio favorito, Eternal Instinct, que fica em Beaconsfield, Melbourne. Ela fez a banda sentar-se na cadeira e passou a agulha ela mesma. “Sim. Fiz isso – Sou muito boa. Fiz minha melhor amiga também. Coloquei um batom bem vermelho e beijei-a na barriga. Depois tatuei onde o batom deixou marca. Tenho que admitir que o dragão demorou sete horas. Tinha um show no dia seguinte no Rod Laver – não foi a ideia mais brilhante que já tive. Precisei me levantar. Já estava me machucando. Telefonei para o Carey chorando e ele ficou furioso. Ele teve uma reação do tipo “E daí? Você vai sair daí com um dragão pela metade? Vai ficar assim por um ano? Volta para a mesa e não me ligue até que essa droga esteja pronta.” Chorei sem parar nas seguintes três horas, e fiz o show cheia de agonia.”

Não deve ter ninguém fazendo tatuagens em Melbourne, já que a turnê FUNHOUSE está lotada. “Gostaria de fazer outra, mas esta turnê não me deixaria. Com todas as acrobacias e coisas do tipo, fica difícil de achar um lugar no corpo do qual não prejudique. E também não sei o que tatuaria. Todas as minhas tatuagens têm um sério significado.”

Acho que um símbolo da VB seria uma ótima tatuagem. Pink adora a cerveja Victoria Bitter. Sim, o gosto de vários pais e homens faz o gosto dessa estrela. “Eu amo VB!” ri ela. “É a minha cerveja favorita no mundo todo. Acho que é uma daquelas coisas sentimentais – depois de sair do avião, a primeira coisa a ser feita é beber uma VB. Estou viciada em VB e feliz de novo. Não sei o quanto aguento, mas tento. Mantenho minha bebida, não consigo beber galões – não aguento. Mas preciso beber, e preciso beber agora. Quando chego na Austrália, duvido que alguém iria querer ir me ver. Ontem foi horrível. Estava péssima que você nem imagina. Mas todos passamos por um dia desses. Não levo tão a sério. Estaria ferrada se levasse.”

Uma coisa Pink pode saber – se ela não pode ser ouvida em Oz, a audiência leal dela faz com que ela saiba das coisas. “Você está certo,” ri Pink. “Eu estive em uma boate australiana e alguém em frente da barreira gritava, ‘Sua voz não está alta! Peça para a equipe de som aumentar essa por**! Sua voz nem está dando para ser ouvida!’ Por isso que gosto desse povo. Eles dizem como deve ser dito. E eu também. Droga, essa é a conexão. Essa é a conexão que existe entre a Austrália e eu. Ambos dizemos o que deve ser dito.”

[Entrevista] Revista Performing SongWriter

Scans: aqui.

PINK: INSPIRAÇÃO, ATITUDE E HONESTIDADE.

O TRABALHO PESADO

Um pouco roqueira, um pouco pop, um pouco punk, a cantora e compositora Pink tem desafiado expectativas por mais de décadas. Em uma simples conversa, ela faz uma jornada que vai da Pensilvânia até “Funhouse”.

Por Chris Neal.

Se Pink alguma vez te pedir para escrever uma música com ela, é melhor você ter força para aguentar muita bebida. Ela troca experiências com uma variedade de colaboradores que a ajudaram a lançar cinco álbuns com letras abertas e temáticas. Por exemplo, quando ela se reuniu com Max Martin ( colaborador em “So What” e “U + Ur Hand”), disse ela “A primeira coisa a se fazer é – começar com bebida…”, o mesmo aconteceu com Butch Walker em “Leave Me Alone (I’m Lonely)” “várias taças de vinho tinto – Châteauneuf du Pape, para ser mais preciso. Quando ela pediu a Kara DioGuardi para ajudá-la com a música “Sober”, ela disse a ele: “Vou te deixar bêbado primeiro, porque será muito importante que você se sinta um lixo para produzir essa música.”

Pink não faz tudo isso só porque ela gosta de corromper a reputação de músicos talentosos usando bebida, ela faz isso porque ela adora a ideia de que a arte surge quando as pessoas se sentem à vontade de dizer a verdade – e como já foi dito, com o vinho, “Ficamos leves,” diz Pink com um sorriso. “Nenhum de nós precisa de terapia. Construí um grande círculo de amizade em minha vida com os compositores.”

É um método de trabalho que pelo visto dá muito certo, pensando que a cantora já vendeu mais de 33 milhõs de álbuns por todo o mundo. O mais importante é a honestidade que ela mostra nas letras, e que fez com que ela criasse um laço com seus fãs. Ela diz que os seus shows são como um “grupo de terapia”, para ela e para a audiência. “Passo por tudo o que todos estão passando,” diz ela. “Quando eu tinha 13 anos e escutava Linda Perry, eu ficava do tipo, “Nossa, alguém me entende.” Acho que essa é a maneira como eles se sentem.”

A adolescente Pink era muito mal-compreendida. Ela cresceu em Doylestown, Pensilvânia, filha de um veterano do Vietnam, que ao longo dos tempos foi passando para a filha a paixão que sentia por música. O divórcio dos pais quando ela tinha apenas 7 anos, fez com que ela fizesse da vida algo voltado para o mundo rebelde, com drogas e álcool. Com 14 anos sua mãe chutou-a para fora de casa. Com uma nova vida, Alecia Beth Moore respondia por um apelido diferente de seu nome real: Pink.

Largou as drogas depois que entrou para a carreira artística. Aos 18 anos, assinou contrato com a gravadora LaFace Records, e em 2000 lançou o seu primeiro álbum, “Can’t Take Me Home”. Foi disco platina-duplo, e ultrapassou vendagens de várias cantoras pops que também estavam surgindo na época. ” O primeiro álbum foi um aprendizado,” diz ela agora. “Ninguém queria saber quem eu era, ninguém queria saber como eu me sentia. Foi sobre escrever algo, não foi algo de sentar e ter que chorar. Não toquei na minha vida ou passado.”

O sucesso de “Can’t take Me Home” deu à Pink uma força de poder tomar uma nova direção, e não perdeu tempo. Chamou a heroína que ela tinha em sua adolescência, Linda Perry, para ajudá-la em um álbum mais pessoal que qualquer outro – “M!ssundaztood”, 2001. Ela canta sobre os altos e baixos de sua vida em “Don’t Let Me Get Me”, “Just Like a Pill”, e “Family Portrait”. O álbum vendeu mais de 16 milhões de cópias ao redor do mundo e fez com que a cantora seguisse a linha do pop, rock, punk, sempre tendo atitude e nenhum segredo.

Seu último álbum, “FUNHOUSE”, leva-nos a um território pós-moderno. O primeiro single – “So What”, fala de sua separação do motoqueiro famoso Carey Hart, e o título surgiu de uma visita à uma casa na área de Los Angeles que ambos dividiram. “Se tiver um elefante na sala, vou falar sobre isso primeiro”, imagina ela. “E, então, falo sobre o que os outros estão pensando.” ( Ela e Hart já se reconciliaram.)

Sentamos com Pink em Liverpool antes que ela subisse ao palco e por duas horas cantar grandes sucessos no Echo Arena da cidade. Seus shows fazem com que Pink pule com várias coreografias e acrobacias, tudo ao vivo – dublagem não faz o seu estilo. “Inventamos coisas perigosas e que seja difícil de conseguir seguro de vida. Depois, levamos até o show,” brinca ela. O centro do espetáculo é o que motiva Pink. “É o que mais tenho vontade de fazer,” comenta ela. “Não faria se não tivesse algum significado para mim. Largar todos os cigarros e espelhos, mas cantar o que vem do coração.”

O que te atraiu à música?

Minha lembrança é de meu pai cantando para que eu dormisse quando ainda era bebê. Algum tempo depois, ele ficava tocando violão todas as noites, e sentava e cantava. Essa era a minha língua. Antes de poder falar, eu conseguia cantar. Era o único jeito que as pessoas paravam para me escutarem. Comecei a ter aulas de canto com 9 anos e ganhei meu primeiro prêmio quando eu tinha 9 ou 10 anos. Acho que fui a única com menos de 30 anos naquela competição. Eu cantei “Oh Father”, da Madonna. Sempre tive um lado negro (risadas). O palco é o único lugar que consigo me sentir eu mesma, como se tivesse algo à oferecer para o mundo.

Quando você começou a compor?

Sempre escrevia poesias, e eram muito, muito obscuras. Comecei a usar drogas e escrevia poesias do tipo, “Festas e entusiasmo no chão..” Minha mãe pegou um dos livro de poesias uma vez, e depois de ler perguntou se eu queria morrer. Eu respondi, “Você não pode ler as minhas coisas!  São minhas!” (risadas).

Como que você fez essa transição de poesias para músicas?

Foi colocar a poesia em movimento – tinha que sentir a melodia. Acho que escrevi minha primeira música aos 13 anos.

Sobre o que era?

Nossa, mal me lembro… Acho que se chamava “Generation X”, e falava da tristeza que passava em minha vida de criança.

Você guardou alguma dessas coisas?

Sim, algumas. Guardo meus jornais desde quando eu era criança. Volto e fico olhando para eles, e às vezes consigo lembrar exatamente como escrevia coisas precipitadas. Às vezes leio e penso, “Caramba, em que eu estava pensando?” Outras vezes eu digo, “Disso eu lembro,” ou “Eu lembro desse menino. “Family Portrait”, uma das músicas que escrevi para o álbum “M!ssundaztood”, foi baseado em um poema que eu escrevi quando tinha 9 anos, que foi quando meu pai saiu de casa.

Como você ingressou no mundo da música?

Cantava de tudo. Cantei música gospel em igrejas, tinha banda de punk-rock, treinei e cantei ópera, além de cantar em boates de hip-hop. Aconteceu quando alguém me viu cantando em uma dessas boates, e perguntou se eu gostaria de fazer parte de um grupo de R&B chamado Choice. Fiquei muito feliz, porque o meu sonho de dar o fora da escola estava finalmente chegando (risadas). Naquela hora, não queria mais trabalhar para o McDonald’s. Nesta época eu estava em Atlanta, 16 anos.

Era ainda muito jovem para começar uma carreira. Você se sentia pronta?

Sim, me sentia. Lembro que eu estava assistindo ‘Star Search’ com 9 anos e falando, “Senhor, se eu não conseguir algo ainda este ano, desisto. Nessa idade ainda era nova, mas pensava que se aos 10 anos não obtivesse uma mudança, a vida acabaria.” Ao mesmo tempo, me sentia com muito ansiedade. Nunca tive amigos com a mesma idade. Meu pai me dizia que eu nasci com 1,000 anos e seguia a vida a partir dessa idade.”

Seu primeiro álbum, “Can’t Take Me Home”, foi um sucesso. Como esse álbum soa para você agora?

É gostoso de ouvir. Soa como… você já ouviu Alvin e os Chipmunks? Pareço o Alvin cantando (risadas). Não mudou muita coisa. “Stop falling” é uma música muito pessoal, e naquele momento eu sentia um “Eu consigo”.

Como você lidou com o primeiro brilho do sucesso?

Muito bem, porque não ficou comigo. Nunca tive um desses momentos “Aha!”. Pelo que vejo dos últimos 14 ou 15 anos, pessoas só acreditam naquilo que alcançam ou abaixam a cabeça. Eu sempre seguia em frente. Nunca ficava satisfeita. sentia que precisava fazer algo maior, melhor e mais auntêntico.

Você sentiu pressão para ter que manter o sucesso?

Só da gravadora, não de mim mesma.

Para muitas pessoas no lugar como o seu, a pressão da gravadora pesa muito.

Tinha uma relação muito familiar com L.A. Reid ( fundador e presidente da LaFace). Entrava no mercado com o tempo. Muitos artistas estavam sendo lançados, e as pessoas estavam lá pela música. Foi antes de surgir o Napster, iTunes, etc. Ele era como o meu paizão de negócios, e foi por causa dessa relação que hoje estou aqui. Ele me dava dinheiro do próprio bolso. Eu o chamava por vários nomes e ele fazia o mesmo comigo, mas tinha muito amor e carinho. Nós brigamos porque ambos estávamos emocionalmente dentro do negócio. Mas ao final do dia ele me ligou e disse,
“Está bem, eu acredito em você e vou te dar a oportunidade de falhar.” Eu disse, “Obrigada.”

O que você sentiu ao perceber que o pessoal da gravadora não estava confortável com o fato de você tomar um outro rumo em seu segundo álbum?

Me senti desafiada pelo medo dos outros. Primeiro fiz com que eles me deixassem fazer o que fiz em “M!ssundaztood”, e foi um sucesso, tive um momento “Eu avisei” – e eu amo, amo esses momentos que podemos dizer “eu avisei”. Depois, no terceiro álbum – “Try This”/ 2003, eles pararam de me dizer o que eu deveria ou não fazer, e foi aí que fiquei com medo. Me senti do tipo, “Espere! Não! Me digam o que não posso fazer, e é isso que farei. Não me digam que eu posso fazer o que bem quiser, porque se não irei para a cama.” (risadas).

De onde surgiu a ideia de trazer Linda Perry para compor em seu segundo álbum?

Eu era fã do 4 Non Blondes. Ela era a voz que me guiava em meus momentos ruins da adolescência. Consegui o telefone dela em uma listagem de artistas, e surgiu a ideia. Eu disse, “Certo, vou enchê-la até que ela escreva uma música comigo.” Liguei para ela, deixei mensagens e cantava as músicas dela no telefone. Finalmente ela se cansou de mim, ou não havia mais espaços em sua caixa de mensagens eletrônicas, pegou o telefone e me disse, “Você é muito doida, vamos lá!” Foi esquisito nos primeiros cinco minutos porque eu era muito fã, mas tomamos cerveja e fomos para o estúdio dela. Ela disse, “Certo, como você está se sentindo hoje?” e me deu um microfone. Estava com os meus jornais, e ela disse, “Esqueça isso, só me diga como você está se sentindo hoje.” Literalmente, dez minutos depois, uma música estava escrita, não sabia que estava em mim. Não sabia se tinha algo para dizer naquele dia, e nunca saberia. É assim que as pessoas começavam a me conhecer de verdade. Ela também me disse, “Você é uma sobrevivente, passou por muitas coisas, e mesmo assim é uma garota muito forte. Você construiu uma parede enorme em volta de você, e o meu trabalho é derrubar essa parede. O seu trabalho é nunca mais ser defensiva, porque você sofre de dores que poderiam ajudar outras pessoas.” Acho que nunca mais fiquei retraída e defensiva.

O que você procura em uma colaboração?

Alguém com quem eu possa sair. Alguém que não esteja fazendo esse trabalho para ficar conhecido, alguém que tenha passado por vários momentos e que eu possa confiar. Saberei em cinco minutos quando sentar-me com alguém e começar a contar do meu dia para ver se eles entendem. Às vezes funciona, e às vezes não.

De onde você acha que vem toda essa sua transparência?

Não sei. Não sou boa em ficar escondendo segredos. Várias pessoas já passaram por mim e diziam, “Sabe, você não precisa ser tão transparente.” Nada me choca, nada parece o limite. Gosto de ver as pessoas expondo as almas. Gosto de ver quem as pessoas realmente são.

Quando você vai trabalhar com alguém, você já leva letras prontas?

Não, geralmente não. Tenho notebooks onde poderia criar na hora, ou falar de coisas que me deixem insensível ou feliz. Felicidade, para mim, é o sentimento mais forte quando é escrito em forma de música (risadas). Mas tenho que ser sincera – ao escrever esse álbum, não olhei em meu notebook. Tive minhas próprias inspirações.

Você já tentou escrever sem colaborações?

Não sou tão boa nisso. Toco bateria, mas é difícil de alcançar a melodia só com bateria (risadas). Aprendi a tocar violão, recentemente, – ou estou aprendendo, devo dizer – e estou conseguindo. Existe algo na maneira em que eu aprendi a cantar com o meu pai – ele fazia o acorde, e eu encontrava a melodia. É algo que me faz depender de alguém para criar os acordes. Não é só sentar com um compositor e esperar ele estalar os dedos. Tem algo nesse mistério de não saber aonde o compositor quer chegar que mexe comigo.

Como você enxergaria o futuro?

Não tenho a resposta. Nunca fui do tipo de pessoa que faz planos. Neste exato momento, consegui fazer tudo o que disse que deveria fazer quando eu estava nos meus 9 anos, exceto viajar pelo mundo todo pedindo carona. Quero ajudar animais, produzir vinho, ter uma família, se tornar uma pessoa e compositora melhor, e continuar a fazer turnê. Esse é o futuro para mim.

Odeio ter que te fazer essa pergunta, mas em setembro você fará 30 anos. Como você se sente?

Incrível. Estou muito animada pelos 30 anos. É quando o mundo te pega por baixo, te sacode, te coloca do lado certo, te dá um par de taças e diz, “Está na hora!” Mal posso esperar pelo momento.”

POR DENTRO DA MÚSICA – DEAR MR. PRESIDENT

“As pessoas dizem que não sou a compositora mais expressiva,” diz Pink, “e sou a primeira a admitir que não sou poética e nem sutil.” O exemplo mais claro dessa afirmação é a brilhante carta para o Presidente George W. Bush transformada em música do álbum “I’m Not Dead”. “Estava aborrecida,” comenta ela. “Estava muito irritada. Tudo estava de cabeça para baixo. Me sentia triste pelo estado do nosso mundo.” Ela e o co-escritor, Billy Mann, colocaram no papel várias questões a Bush sobre a guerra no Iraque, aborto e muito mais. “O lado positivo dessa música é que ela é uma música inocente e com questões, ao invés de julgadora e brava, que são coisas que ás vezes sou.” diz ela. Pink disse que depois do lançamento da música, ela recebeu uma carta do veterano David Crosby. “Ele disse, ‘Obrigado por ter escrito essa música. você está carregando a tocha para a sua geração.’, Fiquei, “É mesmo, agora sou boa. Tive o elogio de que precisava.”

POR DENTRO DA MÚSICA – SO WHAT

O primeiro single de ‘Funhouse’ chamou atenção pela primeira estrofe, que Pink canta “Acho que perdi o meu marido, e não sei aonde ele foi.” Essa linha, e música, foi criada quando o amigo do produtor Max Martin – Johan Karl “Shellback” Schuster, mostrou para Pink um ritmo de guitarra. Pink cantou ao som da melodia criada e caiu na risada. “Achei que foi a coisa mais engraçada que já tinha ouvido em toda a minha vida,” comenta ela. “Sou aquela que ri das próprias piadas.” Martin a encorajou de seguir a linha de pensamento, e juntos criaram uma letra que fala da separação longe da vida de estrela. “Para eu ter que dizer – ‘Sou uma estrela do rock’ (no refrão) foi a coisa mais boba que alguém poderia imaginar,” comenta Pink. Pink ficou feliz com o trabalho final, mas ficou preocupada quando a gravadora queria que fosse a primeira música de lançamento do álbum. Preocupada em machucar os sentimentos do ex-marido, Carey Hart, ela pediu para ele aparecer no video, assim todos poderiam ver que ele gostou da brincadeira e que o casal ainda estava em perfeita harmonia. “Sem as pessoas entenderem o amor por trás do sarcasmo, pensariam que a música teria uma mensagem amarga, brava,” explica Pink. “Não queria isso para o Carey e nem para mim. Então deu certo.”

Pink está na parada

Quando Pink decidiu usar o tema circense para a sua nova turnê, ela não sabia que estaria dividindo o tema com outra cantora.

Ela fala firme quando fazem comparação de sua turnê, Funhouse, com
a turnê de Britney Spears, Circus, que também tem dançarinos e acrobacias, mas que também é um grande espetáculo.

Tanto Pink quanto Britney se basearam no tema circense para seus últimos álbuns lançados no ano passado. Pink caiu na estrada primeiro e a turnê de Britney começou em março. Pink segue para a Austrália para realizar um total de 50 shows até o final de agosto.

“Se eu soubesse que uma outra pessoa fosse se basear no tema circense, eu teria tomado outra direção,” disse a cantora. “Eu fiquei seis meses pensando no tema e nem ao menos sabia que era o que estava em alta. Sou muito desligada.”

Não que as pessoas se confudam entre as turnês. O show de Britney se baseia em algo dançante, enquanto Pink afirma que seu show é pura emoção e rock ‘n’ roll – “duas horas de pura terapia”.

Mas essa “metáfora circense” faz parte das vidas das cantoras – e é o que anima Pink.

Ao invés de ficar quieta em seu canto, Pink canta sobre a sua vida abertamente, chamando o ex-“ex-marido” de “usado”, em So What.

No clipe, a cantora derruba uma árvore que tem o nome dos dois desenhado em um coração com uma serra elétrica.

O casal, que se separou no ano passado, parece ter colocado os pingos nos “is”, já que Pink diz que eles estão “definitivamente juntos”. Hart irá acompanhar Pink durante a sua turnê australiana, onde ambos farão parte de vários eventos. Mas ao contrário do que dizem, eles não vão se casar novamente porque nunca se separaram.

” Nós não nos divorciamos legalmente. Assinar pilhas de papéis é muito chato para nós,” brinca a cantora. “Então, decidimos ficar juntos de novo. Nossas influências são os casais Tim Robbins/Susan Sarandon e Kurt Russel/Goldie Hawn – pessoas que querem ficar juntos porque gostam. E essa coisa de divorciados/casados, é algo que não faz o nosso estilo.”

Pink não tem vergonha de falar sobre seu relacionamento, e vendo a animação da música – “So What”, não tem problema em cantá-la, mesmo o casal estando junto.

” Aparte, algumas músicas do álbum são vulneráveis para mim, quando eu escrevo eu me envolvo emocionamente – sou sarcástica, boba, brava, sou todas as emoções possíves e tudo ao mesmo tempo. Esses sentimentos eu coloco nas músicas, então elas continuam sendo bobas, engraçadas etc. Não é difícil para eu voltar ao que eu estava sentindo ao escrever a música.”

Para a sorte de Pink, Carey também tem um bom senso de humor.

“Você tem que dar risada,” disse Hart ao The Sunday Mail.

“Se você não rir de você, quem vai rir? Ela me deixa pensar no que estava acontecendo no momento e acho isso hilário. Acho que tenho um bom senso de humor, então não é preciso levar as coisas tão a sério.”

O casal irá passar os próximos meses juntos, reconciliando o romance.

“Estamos em uma fase de reconstrução,” disse Carey.

“As coisas agora não geram mais em torno de títulos – casados, solteiros, namorados etc, mas foca-se em ficar junto e sentir felicidade.”

Um dos maiores problemas do casal, era a agenda de ambos – o que não será problema nos próximos meses.

A turnê de Pink começará em Perth no dia 22 de maio. Carey irá fazer uma turnê com sua marca Hart & Huntington Freestyle, e fará apresentações que durarão três horas envolvendo arte, música, motos, carros e cultura.

Pink fará shows no Brisbane Entertainment Centre nos dias 12,13,15 e 16 de junho, e 20,22,23,25 e 26 de julho. A turnê de Carey fará apresentações no the Brisbane Entertainment Centre a partir do dia 13 de junho.

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Fonte: news.com.au

A mais longa turnê de Pink

Escrito por Tiffany Bakker
Tradução: Jessica e Thiago Ferraz.

Sentada no banco de trás de uma van azul escura em Dublin, estou segurando um Tupperware, recipiente cheio de biscoitos assados pelo mãe de P!nk.

Uma preferência americana – biscoitos, sanduíches de Marshmallows e chocolate – eles são um raro sabor da casa. E casa, é um lugar onde P!nk não vai ver muito em 2009. A sua turnê Funhouse circula o mundo até dezembro e parte do ano que vem.

P!nk está no carro, uma Mercedez Benz, automóvel fechado para abafar os gritos histéricos dos seus fãs. Alguns minutos atrás, estava entre esses milhares de gritos – fãs histéricos na Arena de Dublin onde a pop star de 29 anos se apresentou.

Agora eles estão sobre as janelas dos automóveis, câmeras fotográficas e lâmpadas.

Eles não têm certeza sobre qual carro ela está ou se vão conseguir ter acesso a algum, eles estão muito desapontados, apesar dos passageiros – o guarda-costas de Pink, Tony e seu chefe executivo australiano Jason (Ambos parecem estar inabaláveis em relação ao que acontece lá fora).

Considero atraente a idéia de mostrar os biscoitos pela janela e gritar “Ei, vejam, eu tenho biscoitos assados pela mãe da Pink” para ver o que acontece, mas eu não acho que será um movimento muito sábio de minha parte.

Mais cedo a cantora confessou estar se viciando nos biscoitos – a mãe dela trouxe quando a visitou na turnê pela Alemanha uma semana antes.

“Isso é irreal, porque ela nunca fez isso quando eu era criança” explica rindo com aquela risada escandalosa que é sua marca. “Ela se transformou numa dona-de-casa feliz, e eu amo isso pra ca**mba. Ela é adorável.”

O que será que a mãe de P!nk pensa quando vê a sua filha como uma super estrela da música no palco realizando um show?

“O sorriso enorme dela se destaca nos meus shows” diz a cantora. “Ela estava esgotada depois do primeiro show e teve que ir para o hotel dormir; é uma sobrecarga para ela. O segundo show, foi como ‘Eu amei. Foi maravilhoso’”.

O show na Austrália foi espetacular, uma extravagância de alta tensão de duas horas, onde nós vemos P!nk em cena usando coisas do estilo Cirque Du Soleil. (seu desempenho em Sober é de aproximadamente 40 pés no ar, é o centro das atenções).

Quando o show começa com ‘Highway To Hell’ (AC/DC) o público vai a loucura e a temperatura sobe ao som de “I touch myself” (Divinly), bom é… tocante.

“Eu tenho que colocar  algo sexy em algum lugar,” a cantora ri. “É uma continuação da música Fingers (da turnê I’m Not Dead de 2006) e Oh My God (da turnê Try This de 2003), você sabe… strippers, senhoritas nuas…”

A cantora teve muito mais tempo e energia nessa nova turnê.

“Com a turnê I’m not dead eu quase tive um ataque do coração. Eu só tinha uma semana para preparar tudo, e eu queria matar todo mundo, inclusive eu” explica P!nk. “Para essa nós tivemos muito mais tempo, tive que treinar bastante. Eu estou um pouco preocupada, de qualquer forma, porque muitas pessoas me falaram que estavam exaustas depois de tudo.”

Quando nós nos reunimos para o bate-papo, a cantora apareceu no estilo rockstar/estrela-do-rock vestido um top creme, calça leg e sapato com plataforma ambos de cor preta.

“Estou trabalhando muito neles – a cantora fala flexionando os músculos – me sinto forte e disciplinada. Você sabe como é, eu não levo as coisas muito a sério, mas nesse esquema do trapézio eu tive que levar. Precisei enfrentar meu medo de pular para trás, então fico torcendo na descida para que alguém tenha checado as cordas que me seguram direitinho.”

“Eu bebi há 4 dias e pude visitar a cervejaria de Guinnes enquanto estive aqui – ela sorriu – mas eu lembro dos dias que eu costumava sair até 6 da madrugada e na mesma noite eu tinha um show. Eu não podia imaginar o que fazer” (Mais tarde, quando Pink errou uma canção, a platéia grita e ela conta: “Se eu tivesse bebido, isso não teria acontecido.”)

Precisando de um grande estoque de energia no seu dia-a-dia para levar a vida que está acostumada depois de oito anos de turnê, Pink faz uma hora de yoga, e corre todos os dias, e faz graça com o uso da ocasional banana e uma lata de Coca para ajudar a estimular a endorfina.

“Estes são definitivamente os shows que mais estão exigindo do meu físico, emocional e da voz” ela diz.

“Por um minuto eu me pergunto se vou ser capaz de fazer tudo isso por um ano e meio. Se a resposta for sim, eu acredito que estarei muito forte.”

Seus reservatórios de força tem sido testados recentemente. No seu álbum Funhouse ela fala bastante da sua separação com o motoqueiro Carey Hart.

Felizmente, ela conta que eles se reconciliaram “É bom que nós resolvemos isso. Algumas vezes é o modo com que tudo acontece, isso é uma montanha-russa. Quando eu canto “I dont Believe you” eu sei que seria bem pior fazer isso se eu e o Carey não estivéssemos juntos de novo.”

“Depois que a gravei pela primeira vez, lembro de estar sentada em Stockholm ouvindo, e chorando muito, com as lágrimas jorrando pelo meu rosto. Apesar disso, ainda vou ao mesmo lugar. Cada dia é um dia diferente, e nós dois estamos trabalhando nisso.”

Antes dos shows, nos bastidores, há um estranho clima de calma. Muitos integrantes da equipe ‘por-trás-das-cenas’ da cantora, além de membros da banda, estão com ela há anos, e por isso, existe uma ligação fraternal.

A equipe anuncia que todos estão prontos para entrar no palco, e o show acontece super bem.

“Eles são boas pessoas,” ela diz sobre a equipe. “O modo como nós enxergamos a turnê é algo como: ‘isso vai ser uma grande caminhada, e se você está se sentindo perdido, mal-agradecido, sozinho, entediado, cansado ou triste, apenas lembre-se que o mundo vive uma total desordem e as pessoas precisam de entretenimento para que se sintam melhor, e você está ajudando. Isso é maior do que você, então aproveite cada dia.’ Eu penso que isso ajudou algumas pessoas na estrada.”

O mundo está vivendo uma crise financeira, mas aqueles que guardaram dinheiro para ver Pink estão se divertindo. Nos shows ela em Glasgow uns dias antes, a platéia estava completamente rouca.

“Ai meu Deus,” uma mulher vestindo um top com a estampa de um leopardo rosa falou em meu ouvido com um grosseiro sotaque irlandês.

“Eu amo Pink. Ela é incrííííível. Eu canto cada palavra de cada música, exceto aquelas que eu não sei, mas de qualquer forma, eu as canto também. Você pode contar para ela que eu a amo?”

A cantora parece estimular certas emoções de fãs mulheres, ambas gays e héteros. Em um show, um sutiã de cetim preto foi jogado pela platéia e caiu no pé de Pink.

Pink sorriu, posicionando o sutiã e analisando o tamanho de perto. “É… Eu acho que todos nós podemos admitir que isso não irá caber em mim – quem quer que seja que pertence isso, você é muito sortuda…”

Pink tem o fator ‘x’ de um ícone pop como David Bowie, Freddie Mercury, Annie Lennox e Madonna. Ela tem a habilidade de se conectar com todo mundo. Os gays a apontam como um símbolo desde o ínicio.

“Eu acredito que esforço reconhece esforço,” ela diz. “Eu espero que a razão das pessoas gostarem de mim é porque elas estão atravessando a mesma m*rda ou já passaram por isso, ou porque simpatizam. É apenas um grupo de pessoas legais ao redor do mundo – pessoas que alcançam isso. Desde que eu era uma garotinha, eu sempre atraí as minorias ou aquelas pessoas que lutam muito, e eu penso que isso faz parte de uma conexão.”

E ter essa conexão com as pessoas é a prioridade principal dela. Em Glasgow, ela me conta, que sentou no seu closet e chorou depois de ter recebido um livro feito por uma fã, que não somente continha a trajetória da cantora na história musical, mas também continha fotos e mensagens dos fãs ao redor do mundo. “Eu a encontrei na platéia depois,” Pink lembra. “Foi um bom momento.”

E isso que é o legal sobre Pink. Em um mundo obcecado com celebridades e fama, ela é, decididamente, condicionada a ser prática e realista. Para ela, uma boa noite é um churrasco e muita cerveja e vinho com seus amigos.

“Eu não sei ser de outro jeito,” ela ri. “Minha vida não mudou muito. Eu viajo em turnê, componho e passo pela mesma m*rda como todo mundo. Eu nunca me classifiquei em um comportamento de: ‘Eu sou uma rockstar (estrela do rock), Eu sou importante’. Eu não tenho isso. Para mim, ou você é uma boa pessoa, ou não é.”

“Talvez seja esse o motivo pelo qual ainda estou aqui depois de 10 anos, porque eu não me afeto com aquilo que as pessoas falam sobre mim. As pessoas me odeiam muito mais do que amam, e eu não estou deixando de dormir por causa disso. Eu quero dizer, é bom ser convidada para ir aos lugares,” ela dá risadas, “e de verdade, participar disso.”

A cantora recentemente estava sentada na primeira fileira do evento de moda de Stella McCartney (Paris Fashion Week/Semana de moda), depois que a designer aproveitou a ocasião para lançar o comercial do PETA, em que Pink junto com Ricky Gervais emprestaram suas vozes para um jacaré e um coelho, respectivamente, que tentavam recuperar as próprias peles de uns convidados na entrada de uma festa.

“Eu fiquei impressionada com a Stella McCartney. Ela realmente arriscou o pescoço dela fazendo isso no evento,” diz Pink.

“Ela e o pai dela são incríveis. Eu me diverti, e usualmente eu não estou muito ligada nessas coisas (Semana de Moda). Todo mundo se importa demais. Eu olho em volta, e ‘Cara, onde estão minhas botas? Meu pé dói.’”.

Esse ano traz outro momento significativo na vida de Pink – seus 30 anos.

“Algumas pessoas precisam me lembrar que estou ficando velha. Isso é como, dr*ga, eu não tenho mais dezessete anos. O que aconteceu nesses 10 anos?” ela suspira.

“Mas então, por outro lado, eu me sinto velha. Não, eu não deveria dizer isso, mas às vezes eu me sinto antiga. Eu sou a velha mais imatura no mundo. Eu sou como uma combinação dos 12 e 80 anos.”

E, nos últimos anos, ela começou a noticiar que sua platéia está envelhecendo junto com ela. “Isso é legal. Eu amo isso porque eles estão crescendo junto comigo.”

Agora, ela diz que está contando os dias até que ela possa ver seus quatro cachorros. No final desse passeio curto pela Europa, ela terá algumas semanas na casa em Malibu – onde o melhor amigo dela se casará no jardim – antes de refazer as malas e pegar o nosso caminho (Austrália).

Desconsiderando a demanda de quase três meses de shows na Austrália, Pink diz que ainda está chocada que a Austrália a ama tanto assim.

“Na minha última turnê, eu lembro de ficar ‘Isso foi apenas um acaso de sorte, nunca que vai acontecer de novo. Eu não vou vender  nada da próxima vez”. Alguns 50 shows esgotados depois, provavelmente e isso não é mais motivo de preocupação. “Eu posso muito bem morar lá,” ela ri. “Eu digo isso para as pessoas há anos. O que você acha, vocês gostariam de me ter por lá?”

Entrevista sobre a turnê Funhouse e Carey Hart

Quando Pink pensou no tema circense para sua turnê “Funhouse”, não imaginou que estaria dividindo a ideia com outra cantora pop.

Ela suspira resignada quando surge uma comparação com a mais recente turnê de Britney Spears, “The Circus Starring Britney Spears”, que, como a excursão de Pink, é um grande espetáculo com dançarinos voadores e acrobatas.

Pink e Spears basearam o tema da turnê no título de seus discos mais recentes (os dois CDs foram lançados no ano passado; o de Pink saiu antes). A turnê de Britney começou em março. Os ingressos para a etapa norte-americana da turnê de Pink, iniciada na Europa, começam a ser vendidos neste sábado.

“Se eu soubesse que certas pessoas iriam basear suas últimas coisas no circo, eu provavelmente teria tomado outra direção”, disse a cantora de 29 anos. “Eu estava nisso seis meses antes e não percebi que havia uma tendência acontecendo. Eu sou bem desligada”.

Não que alguém pudesse confundir as turnês. O show de Spears é dublado e voltado para a dança, enquanto Pink afirma que sua apresentação é totalmente rock’n’roll –“duas horas de terapia em grupo”.

Em entrevista recente, Pink falou sobre expressar suas emoções por meio de canções, a reconciliação com o ex-marido e sua filosofia sobre o amor.

AP – Você diz que essa é sua primeira turnê importante nos Estados Unidos. Por que levou tanto tempo?
Pink – Eu não sei. Eu trabalhei muito para ser uma artista de turnês, e tenho feito isso bastante há uns sete ou oito anos (fora dos Estados Unidos).

AP – Muitos músicos têm usado o circo como inspiração. Por que você acha que os artistas estão ligados ao mundo circense?
Pink – Provavelmente todos nós quisemos fugir com o circo quando éramos jovens, já que ele está cheio daquilo que a sociedade em geral considera excêntrico e fora do comum. Além disso, é algo grande, sensual e excitante.

AP – É verdade que você e Carey Hart estão voltando e que vão se casar novamente?
Pink – Eu não sei de onde surgiu essa coisa de casar de novo, apareceu do nada. Nós definitivamente estamos juntos novamente.

AP – O que você aprendeu com o tempo em que estiveram separados?
Pink – Nós tentamos nos proteger de ficarmos totalmente apaixonados, abertos e vulneráveis. E, na verdade, acabamos nos fechando para o amor verdadeiro e à oportunidade de realmente aprender e crescer com outra pessoa. É algo realmente prejudicial, mas você acha que está te ajudando.

AP – Então seu conselho seria…
Pink – Mergulhe de cabeça. Não vai te matar.

AP – E você se casaria novamente?
Pink – Nós nunca nos divorciamos legalmente. Achamos muito chato ter de lidar com papéis. Então, escolhemos ficar juntos. Nos espelhamos em Tim Robbins e Susan Sarandon e Kurt Russell e Goldie Hawn –pessoas que apenas escolheram ficar juntos todos os dias porque querem estar lá. E, como nunca gostamos de rótulos, estamos apenas mergulhando de cabeça nessa piscina vazia.

AP – Muito de seu último disco lida com a separação. É difícil cantar essas músicas agora?
Pink – Quando estou compondo há muita emoção envolvida. Sou sarcástica, sou boba, fico com raiva, tenho todas esses sentimentos, tudo ao mesmo tempo, e os incluo em minhas canções. Então, ainda é engraçado, bobo e ainda tenho raiva. É muito fácil voltar a essas sensações…não tenho dificuldade em me transportar novamente para esses momentos.

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Fonte: Musica.uol.com.br

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